MP investiga se filho de deputado de Alagoas é vítima da pistolagem 

A pedido do chefe do Ministério Público Estadual, Eduardo Tavares, o Grupo Estadual de Combate ao Crime Organizado (Gecoc) - a elite de investigação do MP - vai apurar a tentativa de assassinato do estudante de Direito Nivaldo Albuquerque Neto, 24 anos, filho do vice-presidente da Assembleia Legislativa, deputado Antônio Albuquerque (PT do B). Nivaldo foi atingido por quatro tiros (sendo um deles na boca e outro no tórax) na fazenda do pai, na cidade de Limoeiro de Anadia, agreste alagoano, na última sexta-feira.

O chefe do MP não afasta a possibilidade que o crime seja de pistolagem. Oficialmente, as polícias evitam falar do assunto, mas as investigações, que correm em sigilo, indicam que Nivaldo era candidato a prefeito de Limoeiro este ano, quando enfrentaria James Marlan, o atual prefeito, primo do pai dele. À imprensa, James negou envolvimento do crime e entregou as imagens do circuito interno de segurança de Limoeiro para "ajudar nas investigações".

"Nenhuma hipótese está descartada", disse o secretário de Defesa Social, coronel Dário César. "Fizeram um estrago no rapaz. O caso está sendo investigado com todo o rigor", disse o governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que visitou duas vezes o filho do parlamentar.

Nessa quarta-feira, técnicos do Ministério da Justiça, capitaneados pela secretária nacional de Segurança Pública, Regina Miki, estão em Alagoas para discutir ações contra o avanço da violência. O encontro estava agendado desde o início do ano.

Segundo a versão da família, que não autorizou que os médicos publicassem o boletim médico do paciente, Nivaldo estava com quatro funcionários na fazenda quando quatro homens, fingindo ser policiais, tentaram entrar no local, sendo impedidos pelo estudante, que pediu a identificação deles. Neste momento, Nivaldo foi atingido pelos tiros.

Internado em Maceió, segundo a assessoria do deputado, Nivaldo está sem previsão de alta, inconsciente, mas não corre risco de morte. "Ele melhora lenta e gradualmente", afirmou a assessoria.

Antônio Albuquerque já foi preso, há três anos, por pistolagem. Ele é acusado de matar o cabo da Polícia Militar José Gonçalves, em um posto de gasolina em Maceió. O crime foi encomendado por um "consórcio" de deputados: Francisco Tenório (sem mandato e preso) e João Beltrão (PRTB). É acusado, ainda, de liderar uma organização criminosa que desviou R$ 300 milhões da folha de pagamento da Assembleia Legislativa.

Já Nivaldo Albuquerque chegou a ser detido, em dezembro de 2009, depois de ter sido abordado em uma blitz policial. Com ele, militares apreenderam uma pistola 380, com 18 munições, pertencentes ao pai. Após depoimentos, ele foi liberado.