Em 'greve branca', PMs não saem de viaturas em Salvador

Orientados pelo comando da paralisação, alguns policiais militares do Estado da Bahia voltaram a ser vistos em pontos da cidade de Salvador mantendo, no entanto, o estado que chamam de "greve branca". De acordo com reportagem divulgada no jornal O Estado de S.Paulo, na quarta-feira, oficiais, postos em pontos turísticos da capital, permaneciam dentro de viaturas e, mesmo com indícios de confusão ou batidas de carro, não deixavam os carros, atendiam a população ou realizavam rondas.

"Não podemos atender chamado de roubo de carro nem de batida entre automóveis. Quando nós voltamos ficou acertado que nós só ficaríamos dentro das viaturas. Ninguém pode descumprir essa ordem. Quem não cumprir vai ser depois perseguido dentro da corporação. Tem muita gente do comando dentro dessa greve meu amigo", afirmou um soldado que estava próximo a avenida Luís Viana Filho. Na Praia da Armação, dois cabos também permaneciam dentro de uma viatura em um posto de gasolina. Eles também afirmaram que receberam aviso do comando da greve "para não sair de dentro da viatura".

A greve

A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.

Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.

Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.

Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.

A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.