SP: após desabamento, condôminos fazem fila para retirar pertences 

Dois dias após o desabamento parcial de um prédio comercial que deixou dois mortos e pelo menos seis pessoas feridas no centro de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, dezenas de condôminos faziam fila na manhã desta quarta-feira para retirar os pertences dos escritórios que permaneceram em pé.

Ainda em clima de incerteza, sem saber o que ia encontrar dentro de seu consultório, a fonoaudióloga Rejane Augusta Silva Ribeiro disse que a prioridade era retirar as fichas e documentos dos cerca de 400 pacientes que passam semanalmente pela clínica. Ela disse já estar providenciando um imóvel para alugar no centro de São Bernardo.

Rejane contou que estava no consultório no momento do desabamento. Ela disse que ouviu muito barulho e que sentiu o prédio tremendo. "É difícil voltar aqui depois de tudo o que aconteceu. Agora é começar tudo de novo. O susto foi muito grande."

A advogada Luciana Pereira de Andrade retornou ao edifício em busca dos processos de seus clientes. O escritório - com duas salas - pertence a seu pai, que estava no local durante o desabamento.

"É meio estranho estar aqui. Eu não tinha visto o tamanho do estrago. Nossos clientes têm ligado para saber dos processos. Temos clientes de todo o Brasil que, ao verem o que aconteceu pela televisão, ficaram preocupados. Estamos trabalhando provisoriamente de casa, até que possamos encontrar outro local para o escritório. Fazia 10 anos que estávamos no prédio", disse ela.

A partir das 9h o Corpo de Bombeiros começou a liberar a entrada dos condôminos, em pequenos grupos. Todos eram acompanhados por homens da corporação, por medida de segurança.

O desabamento

Por volta das 19h40 do dia 6 de fevereiro de 2012, o Corpo de Bombeiros recebeu um chamado relatando um desabamento em um edifício de 14 andares na avenida Índico, no centro de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. No total, 13 lajes desabaram umas sobre as outras. O desabamento deixou uma criança e uma enfermeira mortas e seis feridos.

Depois do incidente, o prefeito do município, Luiz Marinho (PT), afirmou que a documentação do edifício estava em situação regular. A menina de 3 anos morta no desabamento chegou a ser socorrida com vida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no Pronto Socorro Central da cidade. O corpo da segunda vítima, Patrícia Alves de Lima, 26 anos, foi encontrado, em meio aos escombros, cerca de 24 horas após a queda do prédio.