Para Mantega, denúncias contra Denucci eram 'sem fundamento' 

Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta sexta-feira que tomou conhecimento das denúncias envolvendo o presidente da Casa da Moeda, Luiz Felipe Denucci, em 2010, mas considerou-as "sem fundamento". Segundo o ministro, a indicação de Denucci foi feita à época pelo líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO), e que foi o parlamentar que pediu a demissão do indicado.

"Em 2008, quando substituímos o presidente da Casa da Moeda de então, o PTB fez indicações para a presidência. Dentro dos critérios que usamos de competência técnica, os primeiros nomes não foram aceitos. Me trouxeram o currículo do Luiz Felipe, que tinha um currículo adequado para a missão, então eu aceitei a indicação", afirmou.

Mantega disse, ainda, que Denucci foi contratado com a missão de modernizar a Casa da Moeda (com troca de maquinário para produção de cédulas de real mais confiáveis) e que, mesmo com o pedido de Jovair, não poderia trocar o presidente do órgão "no meio da missão".

"O próprio Jovair manifestou desejo de trocar o indicado porque ele não estava correspondendo às expectativas dele, e eu falei que não podia fazer isso no meio de um trabalho que o Denucci estava realizando. O PTB voltou à carga para tentar trocá-lo e fez algumas acusações sem fundamento. Não me pareceu que as acusações estavam fundamentadas em documentos e falei: se você tem algumas acusações para fazer, faça, entre na Justiça. Suposições podem ser feitas contra qualquer funcionário", defendeu Mantega. O titular da Fazenda deu a mesma explicação a respeito da informação de que teria sido informado sobre as denúncias envolvendo Jovair pela ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ainda em agosto do ano passado.

O ministro negou que a demissão de Luiz Felipe Denucci, feita no último final de semana, tenha sido fruto das denúncias veiculadas em jornais. Segundo as informações, o presidente da Casa da Moeda estaria recebendo propina e depositando o dinheiro em contas em paraísos fiscais.

"Nós costumamos trocar os funcionários que cumprem as missões, alguns pedem para sair. No caso dele, ele estava sendo pressionado. Estávamos dando andamento a sua substituição. Eu já havia entrevistado três possíveis candidatos, estava esperando terminar o ano, fechar o orçamento, o resultado anual de 2011, para fazer a substituição", disse Mantega.

Guido Mantega afirmou, ainda, que o substituto de Denucci na Casa da Moeda terá perfil técnico. O ministro, no entanto, não esclareceu se irá ao Congresso, como querem partidos de oposição, para explicar as denúncias.