MP e polícia investigam linchamento testemunhado por PMs no Pará  

A polícia e o Ministério Público investigam o linchamento de João Augusto Souza, ocorrido há 12 dias no município de Santarém, no Pará. A vítima foi espancada pela população da localidade de Curuaí, sob olhares de seis policiais militares armados, que não intervieram.

O caso permaneceu sem divulgação até que caiu na internet, no início desta semana, uma gravação das agressões, feita por um cinegrafista amador. As imagens servem de base para o processo administrativo que a Polícia Militar abriu contra a guarnição que estava no local.

João Augusto Souza teria sido visto executando a facadas o líder comunitário Josevan Silva, durante uma partida de futebol. Na fuga, o acusado foi baleado na perna por um desconhecido e levado para ser atendido no posto de saúde da cidade. Uma multidão enfurecida invadiu o local, sob olhares dos policiais militares, que nada fizeram. A partir daí, tudo foi filmado. A gravação mostra quando algumas pessoas jogaram no chão João Augusto, em frente ao posto de saúde, e o mataram a pauladas.

O coronel Eraldo Paulino, comandante do policiamento de Santarém, disse que os policiais não tinham como intervir usando arma de fogo. O alto comando da Polícia Militar, o governador Simão Jatene e o secretário de Segurança Pública, Luiz Fernandes Rocha, não se pronunciaram sobre o assunto.

A assessoria de imprensa do governo disse que a guarnição foi mudada de área, por questão de segurança, e continua trabalhando normalmente. O nome dos policiais militares não foi divulgado e, até agora, a Polícia Civil não identificou os autores do linchamento.