Ministro: 'é natural' que haja substituições nos ministérios 

Integrante da cúpula do governo Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, disse na manhã desta quinta-feira que "é natural" que haja substituições na Esplanada dos ministérios. A fala acontece no momento em que a presidente faz substituições nas pastas, a chamada reforma ministerial, iniciada com a saída de Fernando Haddad do ministério da Educação para concorrer à prefeitura de São Paulo.

"Nós entendemos que é natural que haja mudanças nos ministérios, já começou a mudança com a saída do ministro Haddad, nomeação do Aloizio e do novo ministro da Ciência e Tecnologia, e agora é provável que realize algumas mudanças no ministério, dentro de um padrão normal em que ela procura sempre buscar o melhor em cada uma das áreas do governo", disse o ministro.

"Ela (a presidente) não adiantou, sinceramente, pra nenhum de nós qual a sua intenção de outras eventuais mudanças, ela tem feito muita questão de manter essa questão da mudança ministerial aos cuidados dela própria, portanto não nos é cabido fazer novas especulações sobre o que vem pela frente, salvo essa questão já pública do ministro Mario Negromonte", disse, referindo-se a crise no ministério das Cidades que deve levar à demissão do ministro ainda nesta quinta-feira.

Com a chegada da presidente do exterior, é esperado que o ministro das Cidades, Mário Negromonte, entregue sua carta de demissão hoje. O PP, partido do ministro, confirmou ontem a intenção de Negromonte entregar sua carta de demissão em audiência com a presidente Dilma Rousseff. Gilberto disse que não houve comunicação formal de Negromonte com o Planalto a respeito. "Na verdade, a respeito do ministro Negormonte, houve notícia de que entregaria carta de demissão à presidenta. A presidenta estando fora do País, foi informada apenas pela imprensa, o ministro não entrou em contato conosco."

A substituição no comando da pasta pode seguir critérios técnicos ¿ não necessariamente contrário a escolhas políticas, na visão de Gilberto. "A presidenta tem primado por um rigor muito grande na escolha de seus auxiliares, é evidente que o critério técnico é uma questão fundamental e necessário, o que não significa que o critério técnico exclua o critério político", disse.

O ministro defendeu ainda a legitimidade da escolha política de ministros. "Os partidos são legítimos, não podemos aceitar essa pecha que ser político é um defeito, é na verdade consagrar a sua vida ao seu País e ao seu povo, não se pode querer que o governo seja montado deixando a participação legítima dos partidos, que formam a base do governo. Um governo tem de pensar a política, tem de dar um destino para o país, o ministro é um agente político, por isso acho que a presidente vai levar em conta os dois aspectos e acertar no sentido de escolher a pessoa que possa ajudá-la a conduzir o governo com essa seriedade", concluiu.

A situação política de Mário Negromonte começou a se desgastar após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo ter mostrado um documento supostamente forjado pela diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Gomide, que teria adulterado um parecer técnico que vetava a mudança de um projeto de mobilidade em Cuiabá (MT). Com a suposta adulteração, os custos da obra foram ampliados em R$ 700 milhões.

Também entre as denúncias existem suspeitas de que o tesoureiro do PP, Leodegar Tiscoski, e outros executivos ligados à legenda favoreciam empreiteiras no gabinete do Ministério das Cidades, liberando recursos para obras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A pressão se agravou na última semana, após matéria do jornal Folha de S.Paulo, que diz que o ministro teria participado, junto com o secretário-executivo da pasta, Roberto Muniz, de reuniões privadas com um empresário e um lobista. Após a denúncia, o chefe de gabinete do ministro, Cássio Peixoto, foi demitido. Negromonte foi ao Senado e negou irregularidades em sua gestão.