Após desocupação, sem-teto prometem acampar na região central de SP

As cerca de 400 pessoas que ocupam um prédio de três andares na esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro da capital paulista, prometem acampar na rua após o cumprimento da decisão judicial de reintegração de posse do imóvel. O grupo está no local desde o último dia 7 de novembro. Cinco prédios da região foram ocupados na mesma data.

O grupo, liderado pela Frente de Luta por Moradia, afirma ter a posse de uma liminar que obriga o poder público a providenciar alojamento e abrigo a todos os moradores de prédios abandonados ocupados pelos membros do grupo.

Osmar Silva Borges, coordenador do movimento, afirma que a liminar prevê que seja garantido o alojamento para as famílias até a efetiva implantação de programas habitacionais que garantam a eles acesso à moradia. A multa diária para o descumprimento da decisão é de R$ 3 mil.

"O perfil dos moradores que temos aqui é o de pessoas com renda entre um e três salários mínimos, que trabalha na região. Esse tipo de morador só tem acesso a moradia com acesso à rede de financiamento público. Caso seja cumprida a decisão da Justiça nesta quarta-feira, pretendemos fazer um acampamento a cerca de 100 m daqui, até que haja um encaminhamento para essas famílias", disse.

Borges diz que as pessoas que estão no local não têm perfil de moradores de rua e, por isso, os albergues da prefeitura não são o local adequado para a moradia provisória deles.

"Aqui há um núcleo familiar que não pode ser disperso, por isso, não dá para aceitar os abrigos", diz. Os abrigos da prefeitura são destinados a pessoas que vivem sozinhas nas ruas.

Atualmente, a Frente de Luta por Moradia ocupa oito prédios na região central de São Paulo. Segundo dados da entidade, são cerca de 4 mil pessoas.

"São famílias que vêm da periferia para o centro, que tem cerca de 40 mil domicílios desocupados. Aqui há infraestrutura e a maioria dessas pessoas acaba conseguindo trabalho por aqui, seja em restaurantes, seja na limpeza de escritórios", afirma.

A reintegração de posse estava marcada para as 6h, porém, no horário, ainda não havia a presença da polícia, responsável pelo cumprimento da ordem judicial de desocupação do prédio.