Após denúncias, Mário Negromonte deixa o cargo de ministro das Cidades

Depois de uma série de denúncias sobre irregularidades supostamente cometidas no Ministério das Cidades, o ministro Mário Negromonte pediu demissão do cargo na tarde desta quinta-feira (2). Membro do Partido Progressista (PP), ele é o nono ministro a "cair" no governo Dilma Rousseff.

Com a divulgação de sua saída da pasta, Negromonte vai reassumir o mandato de deputado federal pelo PP-BA. Pela manhã, o então ministro manteve contato com apoiadores de dentro do partido e com o presidente nacional da legenda, o senador fluminense Francisco Dornelles.

A situação política do ministro começou a se desgastar após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo ter mostrado um documento supostamente forjado pela diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Gomide, que teria adulterado um parecer técnico que vetava a mudança de um projeto de mobilidade em Cuiabá (MT). Com a suposta adulteração, os custos da obra foram ampliados em R$ 700 milhões.

O jornal Folha de S. Paulo, por sua vez, divulgou que o ministro teria participado de uma reunião com lobistas de uma empresa de informática que depois acabou vencendo uma concorrência na pasta.

Ainda entre as denúncias, existem suspeitas de que o tesoureiro do Partido Progressista, Leodegar Tiscoski, e outros executivos ligados à legenda favoreciam empreiteiras no gabinete do Ministério das Cidades, liberando recursos para obras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Eleições 

A insatisfação de setores do governo com Negromonte é reflexo também do clima de desconfiança da ala baiana do Partido dos Trabalhadores (PT), que tem visto o ministro das Cidades insuflar a candidatura do atual chefe da Casa Civil da prefeitura de Salvador, João Leão (PP), contra o petista Nelson Pellegrino nas eleições de outubro. Com as relações entre o PP e o PT baianos abalada, mais um flanco de apoio à permanência do ministro na pasta das Cidades começa a ruir.

Com Portal Terra