Negromonte está 'determinado' a deixar Ministério das Cidades, diz deputado

O deputado Vilson Covatti (PP-RS) confirmou que o ministro das Cidades, Mário Negromonte, está "determinado" a deixar a pasta. Segundo o parlamentar, o ministro alegou questões de "foro íntimo" e deve entregar sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff (PT) assim que a mandatária retornar da viagem ao Haiti.

"Tem que respeitar (a decisão). É uma pena. Ele passou por tudo o que passou e superou. Ainda não temos um nome para substituir Negromonte, deixaremos a presidente à vontade para escolher", afirmou o deputado.

Negromonte foi indicado pelo PP ao cargo e Covatti garantiu que o próximo ministro será filiado à legenda. Segundo o deputado, amanhã haverá uma reunião do PP com o presidente do partido, senador Francisco Dornelles (RJ), ainda sem horário definido.

A situação política de Mário Negromonte começou a se desgastar após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo ter mostrado um documento supostamente forjado pela diretora de Mobilidade Urbana da pasta, Luiza Gomide, que teria adulterado um parecer técnico que vetava a mudança de um projeto de mobilidade em Cuiabá (MT). Com a suposta adulteração, os custos da obra foram ampliados em R$ 700 milhões.

Também entre as denúncias existem suspeitas de que o tesoureiro do Partido Progressista, Leodegar Tiscoski, e outros executivos ligados à legenda favoreciam empreiteiras no gabinete do Ministério das Cidades, liberando recursos para obras consideradas irregulares pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A pressão se agravou na última semana, após denúncia do jornal Folha de S.Paulo, de que o ministro teria participado, junto com o secretário-executivo da pasta, Roberto Muniz, de reuniões privadas com um empresário e um lobista. Após a denúncia, o chefe de gabinete do ministro, Cássio Peixoto, foi demitido. Negromonte foi ao Senado e negou irregularidades em sua gestão.