SP: após reunião, PM nega mudança em operação na Cracolândia

Após uma reunião que durou cerca de cinco horas na sede do Ministério Público de São Paulo, a Polícia Militar paulista informou que não modificou e nem modificará a ação que acontece na região da Cracolândia, no centro de São Paulo. Além do comando da PM, participaram da reunião promotores e representantes da Saúde e Assistência Social do município, além da Secretaria de Justiça do Estado.

No início da semana, o promotor Eduardo Valério, que participou da reunião, classificou a ação como "desastrosa". No mesmo dia ele abriu um inquérito civil para apurar as responsabilidades, que está mantido. A partir da semana que vem, os envolvidos serão chamados a dar explicações.

"Não estamos mudando estratégia. O nosso objetivo é quebrar a logística do tráfico. Até agora, 70 pessoas foram presas por tráfico de drogas e 37 mandados de prisão cumpridos. A partir do próximo mês vamos instalar naquela região três bases de policiamento comunitário, para que se mantenha a segurança pública no local", afirmou o coronel Álvaro Camilo, comandante da Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Segundo ele, o que motivou a ação foi a necessidade de se quebrar a logística do tráfico de drogas na região e acabar com a sensação de que ali não há lei. "Temos de entender a ação e temos o momento certo para causar o menor trauma possível. Nosso trabalhou será diuturno. Quem consumir ou traficar drogas naquele local, passará por averiguação. Se fosse fácil não duraria mais de 20 anos o que está acontecendo lá", afirmou.

Para o promotor Eduardo Valério, o inquérito prosseguirá para que seja investigado o que aconteceu. "Hoje tivemos dados oficiais que mostraram a verdadeira dimensão da operação. Foi decidido que a PM continuará na Cracolância. Nunca quisemos que de lá saíssem. A justificativa é de que havia necessidade de atuação por conta dos traficantes", afirmou.

Segundo ele, há um compromisso do comando da PM de apuração dos casos de abuso, violência e truculência durante a ação. "Ficou acertado que o Ministério Público será informado de cada passo, para evitar o que aconteceu nesta semana, quando não sabíamos de nada por não termos sido informados sobre o que estava acontecendo", disse.

O promotor lembrou que o que ocorreu até aqui ainda será alvo de análise. "Os esclarecimentos mostraram que não foi uma operação do nada. Havia um propósito. A área da saúde nos apresentou dados interessantes", afirmou.