Delegado que matou refém no RS alega legítima defesa 

Em depoimento na noite desta quinta-feira, o delegado Leonel Carivali, da 1ª Delegacia Regional Metropolitana do Rio Grande do Sul, alegou legítima defesa ao justificar o disparo que matou um empresário paranaense mantido refém em Gravataí, na Região Metropolitana do RS, em dezembro de 2011. O depoimento, que ocorreu na sede da Corregedoria-Geral da Polícia Civil, em Porto Alegre, durou quatro horas.

De acordo com o delegado Paulo Grillo, que comanda as investigações, Carivali relatou que o veículo Corsa dos sequestradores deixou o cativeiro e os agentes que investigavam o caso anunciaram voz de prisão. "Nesse momento, o carro voltou para a garagem e desceu um indivíduo do banco de trás apontando uma arma para os policiais. Foi quando Carivali atirou. Como já havia anunciado que era da polícia, ele disse que não podia esperar os bandidos reagirem", afirmou o delegado Grillo.

Foram feitos três disparos. Um deles atingiu o refém, que estava no banco de trás do veículo. Carivali relatou que não sabia que os sequestrados estavam dentro do automóvel. "Ele não sabia de refém. Eles estavam procurando por três veículos. Se um desses veículos fosse achado em frente a alguma casa, eles iam investigar. Carivali disse que atirou não considerando nada com relação a reféns, só com relação à segurança dele e dos policiais que o acompanhavam", disse Grillo.

O depoimento de Carivali foi acompanhado por um representante do Ministério Público de Gravataí. No início desta semana, o Instituto Geral de Perícias (IGP) da Polícia Civil do RS concluiu que o disparo havia sido efetuado pela arma do delegado.

A operação que resultou na morte do empresário foi realizada em conjunto entre as polícias do Paraná e do Rio Grande do Sul no dia 21 de dezembro de 2011. O episódio sucedeu a morte, na madrugada anterior e na mesma cidade, do sargento da Polícia Militar Ariel da Silva, que não estava em serviço e foi alvejado por policiais civis paranaenses, em ação em território gaúcho não informada às autoridades do Estado. Na ocasião, o governador gaúcho, Tarso Genro (PT), classificou a operação como "irresponsável e ilegal".

Em nota, a Polícia Civil do Paraná disse "que não teve participação direta na ação que resultou na morte de um dos reféns, uma vez que apenas as forças gaúchas de segurança foram autorizadas a participar da ação". De acordo com a polícia paranaense, a vítima era o empresário Lírio Poerjio, do município de Quatro Pontes, no oeste paranense. Três suspeitos do sequestro foram presos.