Contra passagem mais cara, estudantes depredam 20 ônibus no Piauí

Os protestos que ocorrem desde segunda-feira na capital piauiense contra o reajuste de R$ 1,90 para R$ 2,10 na passagem do transporte coletivo deixaram um ônibus incendiado, outros 20 depredados e nove estudantes detidos. Ontem e hoje foram os dias mais críticos, com bloqueios de rua e ocupação da avenida Frei Serafim, a principal via de acesso à cidade. Muitos passageiros ficaram sem ônibus, e motoristas enfrentaram congestionamento de até 40 minutos.

Os principais articuladores do movimento batizado de #contraoaumento pedem a revogação do decreto do prefeito Elmano Férrer (PTB), que autorizou o reajuste na tarifa no dia 1º de janeiro. Os estudantes protestam também contra a integração dos ônibus iniciada pela prefeitura com 42% das linhas. Com a integração, o passageiro paga R$ 2,10 e, no segundo trecho, a passagem fica a R$ 1,05. O movimento defende que a segunda passagem deve ser gratuita, a exemplo de outras capitais que adotam o sistema.

O estudante de História Leandro Oliveira, 22 anos, estava na passeata com nariz de palhaço e justificou. "Essa integração do prefeito é uma farsa e não funciona. Não somos palhaços para engolir isso", disse.

Nadja Carvalho, 24 anos, questiona a falta de paradas adequadas para a integração e critica o tempo de 1 hora estipulado pela prefeitura para o passageiro usar o sistema. "Queremos um canal de negociação com a prefeitura. Se não houver, vamos parar esta cidade como estamos fazendo até o prefeito ceder", disse.

Nesta sexta, os protestos tiveram início às 10h, quando os manifestantes saíram em passeata e bloquearam a Frei Serafim. A ação afetou 60% do tráfego na capital. Com apitaço e palavras de ordem, os manifestantes sentaram no chão e fizeram barricadas com o próprio corpo, evitando a passagem dos veículos.

De acordo com a Prefeitura de Teresina, 98% da população aprova a integração. O prefeito condenou os "abusos" dos manifestantes e descartou a possibilidade de revogar o decreto.

Com a falta de ônibus, a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (Strans) ameaçou multar as empresas. Nesta noite, a assessoria de imprensa do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Teresina negou que tenha tirado coletivos de circulação e atribuiu a carência de ônibus aos protestos, que teriam impedido o tráfego.

Ao encerrarem as atividades desta sexta, os líderes, em assembleia, decidiram manter as manifestações a partir de segunda-feira, até a prefeitura apresentar uma contraproposta.