Exumação de modelo em hospital expõe crise na segurança de Alagoas

A decisão do delegado da Polícia Civil de Alagoas, Belmiro Cavalcante, de enviar um cadáver para exumação no maior hospital público do Estado piorou a crise na segurança pública. O modelo Eric Ferraz foi enterrado com cinco balas no corpo porque o Instituto Médico Legal (IML) nunca teve um aparelho de raios-X e o médico legista não teve tempo de fazer a autópsia no corpo. A Justiça determinou a exumação porque há a suspeita de que a vítima tenha sido morta com duas armas. Sem raios-X para detectar os projéteis no IML, o delegado do caso encaminhou o corpo para o Hospital Geral do Estado.

"Isso é um absurdo. Vamos solicitar uma intervenção imediata de todos os órgãos competentes. Não se pode levar um corpo para exumação em um hospital. É mudar a ordem das coisas. Há pessoas vivas e doentes nos corredores do hospital. Há riscos para as vidas", disse o presidente do Conselho Regional de Medicina, Fernando Pedrosa.

Segundo funcionários do HGE, o corpo passa por exumação na tarde desta sexta-feira no necrotério do hospital, com um aparelho de raios-X portátil. "Querem resolver a situação do IML desta forma. Nunca teve um raio-X, nunca houve interesse do Estado em se resolver os seus crimes ou apurá-los com uma Medicina Legal com equipamentos. Não admitimos isso", afirmou Pedrosa.

Por ordem do delegado, um caseiro de um dos acusados pelo assassinato foi preso. Na cadeia, ele foi espancado por 15 presos. Cavalcante nega incentivo a tortura. O delegado foi acusado, há dois anos, de torturar um jovem de 12 anos após prendê-lo por engano. O caso foi arquivado pelo Conselho Estadual de Segurança e pelo Conselho Superior da Polícia Civil.

O IML de Alagoas funciona de forma improvisada há 80 anos em um prédio cedido pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) no bairro do Prado, em Maceió. Em janeiro, o Ministério Público pediu o fechamento da unidade: até restos dos corpos eram jogados no lixo, e a água que escorria dos cadávares ia parar no meio da rua. Em crise, a segurança pública de Alagoas enfrenta um de seus piores momentos. Em levatamento realizado em todas as delegacias de Alagoas, o Sindicato dos Policiais Civis identificou 13 delegacias com risco de cair. Algumas funcionam em casas alugadas.

A secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, está em Alagoas desde a quinta-feira para buscar alternativas para a crise no setor de segurança do Estado, que é o mais violento do Brasil de acordo com números do Ministério da Justiça.