'Torcedoras', mães esperam vestibulandos paulistas do lado de fora

Após esperar sob um forte sol, os estudantes inscritos para fazer a prova da segunda fase da Unesp 2012 em São Paulo neste domingo finalmente entraram nas salas da unidade Água Branca da Universidade Paulista (Unip), na zona oeste da cidade. Às 14h os portões se fecharam e o movimento do lado de fora da universidade sumiu - restaram só alguns vendedores de água e um falante grupo de 15 mães, que pretendem esperar os filhos até o término da prova.

"A minha filha diz que eu sou um talismã, que eu dou sorte pra ela", diz Marideth Miranda, 48 anos. Ela conta que a filha, Karina, 18 anos, já a fez ficar esperando seis horas no carro por ocasião de uma outra prova. "Mas se for pra passar no vestibular, eu espero até 48 horas", brinca.

Karina está prestando Direito, o segundo curso mais concorrido da Unesp, com 59,3 candidatos por vaga, apenas atrás de Medicina (170,9 candidatos por vaga). Isso só contribuiu para aumentar o nervosismo da mãe. "Pergunta se eu dormi hoje", diz ela. Ansiosa, fez a filha chegar junto com ela às 9h30, mais de quatro horas antes do exame.

Outra 'torcedora' é Sandra Márcia Potenza, 49 anos. Sua filha, Paula Fernanda, 18 anos, presta Relações Internacionais, curso ministrado pela Unesp na cidade de Franca. Mesmo que a filha passe na segunda fase do vestibular, ainda vai ter uma terceira: a do orçamento.

"Não sei se ela vai pra Franca, ainda vamos estudar o preço do aluguel. Ela passou na PUC (Pontifícia Universidade Católica) também, que eu acho uma faculdade boa, então vamos comparar o custo de morar fora com o preço da mensalidade", diz Sandra.

A mãe conta ainda que Paula mudou muito de ideia sobre qual curso gostaria de fazer. "Ela fez Ciências Ambientais na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) durante seis meses, mas viu que não era o que queria. Então saiu, fez seis meses de cursinho e veio prestar outra coisa", conta. A mudança de curso deixou a mãe em uma torcida maior ainda. "Nem sempre a gente acerta na primeira. E o mercado não é fácil, então é bom ela gostar do curso", diz.

A prova dissertativa de hoje dura 4h30, e acaba por volta das 18h30. As duas mães contam que as filhas costumam ser as últimas a sair, e pretendem esperar até o fim. "É melhor quando sai por último, dá a impressão de que fez melhor a prova", diz Sandra.