Pesquisa aponta 'sistema industrial' de prisões por tráfico em SP

Um estudo feito por pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP) aponta para um sitema "industrial" nas prisões por tráfico de drogas. A pesquisa tem como base 667 autos de prisão em flagrante que passaram pelo Departamento de Inquéritos Policiais e Polícia Judiciária de São Paulo e indica que na maioria dos flagrantes de drogas, o detido é jovem, pardo ou negro e aguarda todo o processo preso. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

Com pequenas quantidades de droga (média de 66,5 gramas), os jovens são abordados por policiais militares e, em 89% dos casos, depois de detidos respondem a todo o processo presos. Isso ocorre após decisões padronizadas da Justiça, que não diferencia traficantes de consumidores. O objetivo do estudo foi compreender o caminho seguido pelo jovem preso em flagrante depois da Lei Antidrogas de 2006, que definiu que o consumo de entorpecentes não pode ser punido com prisão. 

"A partir do flagrante, ficou claro que as decisões seguem um movimento padrão que vai manter a pessoa na prisão. É um sistema quase industrial, que não leva em consideração as nuances da ocorrência", diz a socióloga Maria Gorete Marques de Jesus, que coordenou a pesquisa.