MPF denuncia 47 pessoas por tráfico internacional de drogas

O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou 47 pessoas por tráfico internacional de drogas e associação para o tráfico. Parte delas, 32 pessoas, foram presas ao longo dos 15 meses de investigação que resultaram na Operação Semilla, deflagrada pela Polícia Federal em 27 de outubro deste ano. Quinze pessoas denunciadas pelo MPF estão foragidas, oito delas são estrangeiros ligados ao esquema.

A operação surgiu em julho de 2010 com base em provas surgidas de outra investigação. A investigação demonstrou a existência de uma grande organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas mediante contato direto com diversos fornecedores na Bolívia, onde cocaína e maconha eram adquiridas.

A droga entrava no Brasil trazidas por aviões particulares, que não chegavam a pousar em solo brasileiro. Os pacotes de cocaína e maconha eram arremessados em fazendas. Depois de recolhida, a droga era distribuída na região de São Paulo. Quatro células autônomas, mas com modo de atuação semelhantes, foram descobertas inicialmente.

Uma delas, era chefiada por Eurico Augusto Pereira, o Quebrado. Outra, chefiada por João Alves de Oliveira, o Batista, mantinha relações com uma conexão africana, representada pelo nigeriano Daniel Victor Iwuagwu, o Kalazan, que exportava a coca para a África. A última, italiana, era liderada por Emanuelle Savini, preso em flagrante no Rio de Janeiro pela PF, em outubro de 2010, e já condenado pela Justiça Federal daquele Estado a 14 anos de prisão.

Os grupos de Quebrado e Batista compravam a droga na Bolívia, mantendo contatos frequentes com os fornecedores ali radicados, que também foram investigados na operação. Durante a operação, foram feitas 29 apreensões de droga e uma apreensão de dinheiro. Ao todo, 70 pessoas foram presas em flagrante e apreendidas 4,2 t de cocaína, 5,2 t de maconha, produtos químicos para o refino e diluição da droga, veículos, armas e um avião. Caso condenados, alguns dos denunciados podem pegar até e 30 anos de prisão.

Prosseguimento do inquérito

O Ministério Público Federal também solicitou que a Polícia Civil continue a investigação para apurar crimes de corrupção e extorsão envolvendo pessoas ainda não identificadas e policiais. Há suspeita de ter havido cobrança de propina de um líder de uma das quadrilhas investigadas. O MPF solicitou também a prisão preventiva dos denunciados.