Dilma sobre declaração de amor de Lupi: 'não sou uma romântica'

A presidente Dilma Rousseff negou, nesta sexta-feira, em Caracas, que a declaração de amor do ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), no mês passado, tenha pesado a favor de sua manutenção no cargo, apesar de denúncias de que ele teria acumulado dois cargos públicos por quase cinco anos, nas câmaras federal, em Brasília, e municipal do Rio de Janeiro. 

Questionada sobre o "Dilma, eu te amo" proferido por Lupi em sessão da Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara, a presidente disse que não é adolescente nem romântica.

"Tenho 63 anos de idade, uma filha com 34 anos, um neto de 1 ano e 2 meses. Eu não sou propriamente uma adolescente e eu diria também (que não sou) uma romântica. Acho que a vida ensina a gente, e acho que a gente tem de respeitar as pessoas, mas eu faço análises muito objetivas", afirmou.

A petista garantiu que assuntos "referentes ao Brasil" serão resolvidos "a partir de segunda-feira", data de seu retorno ao País. No mesmo dia, ela deve receber do presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, Sepúlveda Pertence, a íntegra do processo que resultou na recomendação de exoneração de Lupi. A decisão foi tomada nesta semana pelos membros da comissão e, ao tomar conhecimento, Dilma pediu mais esclarecimentos sobre a recomendação.

No mês passado, a comissão decidiu abrir dois processos contra o ministro do Trabalho com base em denúncias da revista Veja. Segundo a reportagem, dirigentes do PDT seriam responsáveis por um esquema de cobrança de propina de ONGs conveniadas com o Ministério do Trabalho. Após a publicação, assessores de Lupi foram demitidos. Outra denúncia é de que o ministro teria viajado ao Maranhão em um avião providenciado por Adair Meira, que controla entidades que têm contrato de cerca de R$ 14 milhões com a pasta. Em um primeiro momento, o ministro negou conhecer Meira, mas voltou atrás após a publicação de fotos em que aparecia ao lado do diretor.

A conversa com a imprensa nesta sexta-feira ocorreu instantes antes da abertura da cúpula de criação da Comunidade de Estados Latinoamericanos e do Caribe (Celac), na capital da Venezuela, onde ela teve reuniões bilaterais com os presidentes venezuelano, Hugo Chávez; boliviano, Evo Morales; e da Argentina, Cristina Kirchner.