Contrariando comissão, líder do governo diz que Lupi é 'honesto'

Ainda que a Comissão de Ética Pública da Presidência da República tenha encaminhado à presidente Dilma Rousseff (PT) recomendação de exonerar o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), saiu em defesa do pedetista e o classificou como "um homem honesto".

Responsável por comandar uma pasta suspeita de ter desvios de recursos públicos em convênios de capacitação profissional, Lupi teve de se explicar no Congresso após ter utilizado um avião de um empresário para cumprir agenda pública em municípios do Maranhão. Ele teria mentido ao negar que viajara a bordo de um avião providenciado pelo diretor de uma ONG que detém contratos milionários com o Ministério do Trabalho.

>> Dilma mantém Lupi no cargo e pedirá à Comissão de Ética que reveja recomendação

>> Lupi acumulou cargos ilegalmente por cinco anos, diz jornal

A aeronave para que o ministro cumprisse agenda oficial em sete municípios maranhenses teria sido providenciada por Adair Meira, que controla ONGs com contratos de cerca de R$ 14 milhões com a pasta. Na avaliação de Vaccarezza, antes de apostar em um afastamento do auxiliar da presidente Dilma Rousseff, deve ser analisado o que embasou os conselheiros a sugerirem a demissão do ministro.

"Eu ainda não li o parecer da Comissão. Toda denúncia tem que ser investigada e comprovada. A opinião de órgãos cada um pode dar. Tenho o Lupi na conta de um homem honesto. Se for mostrada uma prova (em contrário), eu mudo de opinião", disse ele, que negou que a eventual permanência do ministro signifique a desmoralização do colegiado. "A Comissão seria desmoralizada se ela fosse manietada e compelida a escrever coisas com que ela não concorda", afirmou o parlamentar.

Vaccarezza minimizou ainda qualquer risco de o PDT, partido de que Lupi é presidente licenciado, sair da base aliada do governo diante da recomendação da Comissão de Ética. Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff havia pedido à Comissão de Ética Pública, por meio da Casa Civil, dados sobre o que fundamentou o pedido de exoneração do ministro Carlos Lupi. O chefe da pasta do Trabalho cancelou sua agenda pública e falou pessoalmente com a presidente nesta manhã no Palácio do Planalto.