Ex-funcionários fazem lobby no ministério do Trabalho

Ex-funcionários do Ministério do Trabalho - alguns ligados ao ministro Carlos Lupi (PDT) - atuam como intermediários, com acesso livre às dependências da pasta, para negociar a liberação do registro sindical e garantir para uma entidade parte dos R$ 2 bilhões arrecadados com o imposto sindical. 

Uma das lobistas é uma mulher que trabalhou no ministério até 2009 e ajudou a fazer a portaria que, em 2008, estabeleceu novas regras para o registro. A "consultora", como ela se apresenta, se encontrou com Lupi na semana passada. Procurada, ela admitiu contato com a pasta e que seus conhecimentos do funcionamento do processo ajudam em seu trabalho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo..

Segundo a publicação, a atuação dos lobistas abre caminho ainda para barganhar o "preço" do registro - o que o ministério sempre negou existir. De acordo com o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), duas funcionárias que eram terceirizadas na pasta foram levadas para a entidade para ajudar "a turma a montar sindicato". 

Outro intermediário, diz o jornal, é um dirigente nacional do PDT que, em 2007, foi nomeado por Lupi superintendente do ministério no Paraná. Ele deixou o cargo em julho do mesmo ano e passou a ser cortejado por entidades. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Cooperativas Médicas do Paraná afirmou que o advogado o ajuda nos processos desde 2009. Ao jornal, o ministério do Trabalho disse não ter "informações sobre a vida profissional de prestadores de serviços contratados por empresas interpostas".