Na TV, Dilma defende melhor uso dos recursos para a saúde

Em pronunciamento feito em cadeia nacional de rádio e televisão nesta terça-feira, a presidente Dilma Rousseff defendeu a melhoria nos gastos para a saúde. Para ela, é possível fazer mais com o mesmo orçamento.

Durante as discussões sobre a regulamentação da Emenda 29, que destinava obrigatoriamente percentuais da saúde com base no crescimento mais variação do Produto Interno Bruto (PIB) do ano anterior, ela defendeu mais recursos para o setor, caso passasse a matéria no Congresso Nacional. Uma sugestão, na época, para financiar a saúde seria um imposto aos moldes da extinta Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF).

Em dez minutos de vídeo, gravado no Palácio da Alvorada, a presidente falou sobre dois programas do Ministério da Saúde, lançados hoje: o Melhor em Casa, de atendimento domiciliar feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e o SOS Emergência, que vai monitorar a gestão dos principais hospitais públicos brasileiros.

"A implantação (dos programas) demanda tempo, dedicação e recursos. Temos uma orientação clara: fazer mais com o que temos e não ficarmos de braços cruzados esperando que os recursos caiam do céu. Para isso, vamos continuar a aperfeiçoar métodos, fiscalizar gastos, acabar com o desperdício e combater sem tréguas o desperdícios e os mal feitos", disse a presidente.

Ela deu exemplos do que foi feito no primeiros semestre do seu governo na área da saúde. "Conseguimos economizar mais de R$ 600 milhões por causa de medidas que implantamos, como a compra centralizada de medicamentos, um maior controle dos repasses e a realização de auditorias permanentes. Essas medidas serão ampliadas e vamos continuar também reforçando o controle de frequência e a permanência no trabalho", disse.

Dilma reconheceu a dificuldade de colocar os programas em prática, mas afirmou que será necessário "esforço de 24 horas" e que "cada erro será um motivo de superação". "Já ouvi de algumas pessoas que seria como enxugar gelo", disse. Mais cedo, em cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, havia dito que o desafio seria como "domar um touro à unha".

Até 2014, o Ministério da Saúde promete oferecer mil equipes de atenção domiciliar atuando em todo o País. O investimento previsto é de mais de R$ 1 bilhão só para o Melhor em Casa. O programa será destinado a pessoas com necessidades de reabilitação motora, idosos, pacientes crônicos sem agravamento ou em situação de pós-operatório e será gratuito.Neste ano, o ministério vai repassar a Estados e municípios o montante de R$ 8,6 milhões.

O SOS Emergência vai acompanhar de perto os centros de pronto-socorro de hospitais que são referência em atendimento de regiões metropolitanas. O governo promete qualificar a gestão, ampliar o acesso aos pacientes em situação de emergências, além de atendimento rápido. O programa vai começar com 11 hospitais e até 2014 a iniciativas chegará a 40 instituições de saúde.

Dilma destacou que o Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes com sistema de saúde público e gratuito. Segundo ela, 145 milhões de brasileiros dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde. O serviço público de saúde do Brasil oferece 1 milhão de internações, 3 bilhões de procedimentos ambulatoriais e 500 milhões de consultas médicas por mês.