Ex-presidente da CPI da CBF, novo ministro rejeita mágoa de cartolas

O novo ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), disse nesta quinta-feira não acreditar que o fato de ter presidido uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar irregularidades na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) possa provocar "ressentimento" de autoridades ligadas ao esporte agora que ele ocupa a pasta no governo Dilma Rousseff.

No Congresso, onde é titular de uma cadeira de deputado federal ¿ e precisará se licenciar para assumir como ministro ¿ Rebelo afirmou que sua relação com a Fifa por conta da organização da Copa do Mundo de Futebol de 2014 será "de praxe", com a "cooperação necessária e a independência".

"Creio que o relacionamento deve ser de praxe. A Fifa tem uma responsabilidade, o governo tem a sua e trabalharão naturalmente levando a cooperação necessária e a independência. A Fifa tem a responsabilidade no Brasil porque é organizadora da Copa do Mundo. O governo brasileiro tem a responsabilidade como país que vai organizar. Eu, como ministro, tenho responsabilidade. Não creio que o fato de eu ter presidido uma CPI que investigou a CBF gere qualquer tipo de ressentimento em relação a minha atividade como ministro", opinou.

Rebelo foi oficializado nesta quinta como sucessor de Orlando Silva, que deixou o governo após ter sido apontado como participante de um suposto esquema de desvio de dinheiro público por meio de ONGs. O denunciante do caso, João Dias Ferreira, foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar de desvios de recursos destinado a um programa da pasta. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

De acordo com Ferreira, o esquema utilizava o programa Segundo Tempo para desviar recursos usando ONGs como fachada. Orlando Silva foi apontado como mentor e beneficiário desse esquema. As ONGs recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Conforme a acusação, o ministro teria recebido, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes da quadrilha. Parte desse dinheiro, acusa a revista Veja, foi usada para pagar despesas da campanha presidencial de 2006. O ex-ministro negou todas as acusações, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a abertura de inquérito por entender haver indícios de sua participação no episódio.

O novo ministro do Esporte toma posse na próxima segunda-feira.