Com possível queda de ministro, Dilma mantém agenda positiva

Em meio ao clima de possível demissão de Orlando Silva (PCdoB) como ministro do Esporte, a presidente Dilma Rousseff manteve a agenda positiva e sancionou nesta quarta-feira a lei que cria o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego (Pronatec). O programa é uma forma de expandir e interiorizar o ensino profissional e técnico.

O investimento do governo federal será de R$ 24 bilhões até 2014. Esses recursos serão destinados à oferta de 8 milhões de vagas em cursos de formação técnica e profissional, sendo que 30% dos investimentos serão aplicados nas regiões Norte e Nordeste.

Para garantir o número de vagas, estão sendo construídas 208 novas unidades dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. A promessa é que 35 delas fiquem prontas ainda neste ano. Além disso, o governo firmou parceria com o Sistema S - Senai e Senac - para ampliar a oferta de cursos profissionalizantes gratuitos nestas entidades. Já foram investidos, também, R$ 1,7 bilhão na construção de 176 escolas técnicas estaduais e na reforma, ampliação e compra de equipamentos para outras 543 unidades.

A agenda presidencial prevê para hoje uma agenda cheia de compromissos externos, fora dos padrões de Dilma, que prefere audiências em seu gabinete. Nesta manhã, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, reuniu a cúpula do PCdoB e o ministro Orlando Silva para uma reunião. Segundo interlocutores próximos à presidente, ela ainda não teria falado diretamente com Silva.

As acusações contra Orlando Silva

Reportagem da revista Veja de outubro afirmou que o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), lideraria um esquema de corrupção na pasta que pode ter desviado mais de R$ 40 milhões em oito anos. Segundo o delator, o policial militar e militante do partido João Dias Ferreira, organizações não-governamentais (ONGs) recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Orlando teria recebido, dentro da garagem do ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes dos desvios que envolveriam o programa Segundo Tempo - iniciativa de promoção de práticas esportivas voltada a jovens expostos a riscos sociais.

João Dias Ferreira foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar dos desvios. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

O ministro nega as acusações e afirmou não haver provas contra ele, atribuindo as denúncias a um processo que corre na Justiça. Segundo ele, o ministério exige judicialmente a devolução do dinheiro repassado aos convênios firmados com Ferreira. Ainda conforme Orlando, os convênios vigentes vão expirar em 2012 e não serão renovados.