Taubaté tinha central de rins, afirma MP durante júri

O Ministério Público (MP) de São Paulo afirmou na última quarta-feira que havia em Taubaté, a 140 km da capital, uma central de remessa de rins para pacientes ricos. De acordo com o MP, um grupo de médicos realizava a retirada de órgãos para transplantes em São Paulo. A afirmação foi feita ontem na exposição da Promotoria ao júri pedindo a condenação de três médicos por homicídio doloso (intencional). O urologista Rui Noronha Sacramento, o nefrologista Pedro Henrique Torrecilhas e o neurocirurgião e legista Mariano Fiore Júnior são acusados de utilizar diagnósticos falsos para extrair rins de quatro pessoas em 1986. Eles negam. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

As investigações, disse o MP, comprovaram que os órgãos foram para o hospital Oswaldo Cruz, onde havia uma fila própria de transplante. O custo da cirurgia variava de 100 mil a 150 mil cruzados novos -o equivalente a R$ 35 mil e R$ 70 mil, respectivamente. Miguel da Silva, Alex de Lima, Irani Gobo e José Faria Carneiro, vítimas de traumas ou aneurismas cerebrais, tiveram seus rins extirpados em 1986, em Taubaté.