Líder diz que governo não está em crise 

Ainda que o ministro do Esporte, Orlando Silva, seja suspeito de envolvimento em um esquema de corrupção para a liberação de recursos públicos para organizações não-governamentais (ONGs), o líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou nesta quinta-feira que o governo não enfrenta uma crise política.

Para o parlamentar, tanto a presidente Dilma Rousseff quanto o governo petista são bem avaliados pelas pesquisas de opinião. Em pouco mais de oito meses, no entanto, o governo federal já acumula cinco baixas nos cargos de primeiro escalão da administração pública. Foram exonerados os chefes nas pastas da Casa Civil, Transportes, Turismo, Agricultura e Defesa.

"Não vamos confundir demissão de ministro com crise de governo. Avalio que não teve nenhuma crise. A presidente e o governo estão sendo bem avaliados pelas pesquisas. Não existe crise", disse o parlamentar. Ele evitou se posicionar sobre a possibilidade de afastamento de Orlando Silva e afirmou que a organização da Copa do Mundo não será afetada por conta das acusações. "Na condição de líder não posso me posicionar sobre a saída ou escolha de ministro. Quem decide isso é a presidente. Em todo caso, a Copa não será prejudicada. O Brasil fará a melhor Copa que já vimos", declarou.

O denunciante do suposto esquema do qual Orlando Silva faria parte, João Dias Ferreira, foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar de desvios de recursos destinado a um programa da pasta. Investigações passadas apontavam diversos membros do PCdoB como protagonistas das irregularidades, na época da Operação Shaolin, mas é a primeira vez que o nome do ministro é mencionado por um dos suspeitos. Ferreira, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte.

De acordo com Ferreira, o esquema utilizava o programa Segundo Tempo para desviar recursos usando ONGs como fachada. Orlando Silva foi apontado como mentor e beneficiário desse esquema. As ONGs recebiam verbas mediante o pagamento de uma taxa que podia chegar a 20% do valor dos convênios. Conforme a acusação, o ministro teria recebido, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério, uma caixa de papelão cheia de cédulas de R$ 50 e R$ 100 provenientes da quadrilha. Parte desse dinheiro, acusa a revista Veja, foi usada para pagar despesas da campanha presidencial de 2006. O ministro nega as acusações.