Campinas: prefeito recorrerá na Justiça contra afastamento

O prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra (PT), afastado por 90 dias devido às investigações de uma Comissão Processante (CP) conduzida pela Câmara Municipal, vai recorrer à Justiça para continuar no cargo. Em sessão na noite da última quarta-feira, os vereadores decidiram por 28 votos a 4 retirá-lo do cargo, com a justificativa de evitar uma interferência no transcorrer da CP. Ele é acusado pelo Ministério Público (MP) de formação de quadrilha e desvio de dinheiro.

Vilagra é o segundo prefeito a administrar a cidade em menos de 60 dias. Ele assumiu em 23 de agosto, após a cassação do então prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) por improbidade administrativa. Dr. Hélio, como é conhecido, negou envolvimento em fraudes envolvendo contratos de licitações na Serviço de Abastecimento e Água S/A (Sanasa), apontadas pelo MP.

"Nada foi comprovado. Não há qualquer implicação minha com a Sanasa", afirmou Vilagra. De acordo com ele, já foram feitas uma sindicância na autarquia, uma CPI na Câmara - que resultou na cassação do seu antecessor -, e o seu nome não aparece. Questionado sobre a acusação do MP de formação de quadrilha e desvio de dinheiro, Vilagra negou. "O que se tem é uma ligação telefônica, uma conversa de R$ 20 mil, que não é verdade", afirmou.

O prefeito afastado se mostrou confiante em dar continuidade ao seu governo até janeiro de 2013. "Temos um projeto, metas, e uma boa relação com Brasília", disse. Sobre a questão da troca de prefeito em curto espaço de tempo e o risco de a cidade ver um terceiro nome na administração, Vilagra afirmou que respeita a decisão da Câmara. "Acredito na Justiça e em uma decisão a meu favor. A cidade deve continuar com sua normalidade."

Com o afastamento de Vilagra, quem deve assumir a prefeitura é o presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT). "Esse é um momento de cautela", afirmou o vereador.