Ex-enfermeira confirma que médicos tiraram rim de paciente vivo

Considerada testemunha-chave no processo contra três médicos acusados de provocar a morte de quatro pacientes para retirada de rins em um hospital de Taubaté (SP), a ex-enfermeira Rita Pereira afirmou, durante acareação com a anestesista Lenita Bueno Bassi feita na terça-feira, que, durante a extração do órgão de José Faria Carneiro, em dezembro de 1986, o paciente ainda estava vivo. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Na segunda-feira, a ex-enfermeira disse em depoimento que a anestesista teria se negado a participar da cirurgia, fato desmentido por Lenita, que negou divergência com a equipe. 

Rita disse que, após a retirada dos órgãos, o paciente ainda se debatia na maca. Segundo ela, o médico Pedro Henrique Torrecillas, um dos três denunciados no caso, teria enfiado um bisturi no peito do paciente até o corpo ficar inerte. "Viu, é assim que se faz", teria dito.

Primeiro réu é ouvido

O médico Rui Noronha Sacramento foi o primeiro réu interrogado nesta terça-feirano Fórum Central de Taubaté, em São Paulo, no processo em que três médicos são acusados de ter levado à morte quatro pacientes para a retirada dos rins, que seriam utilizados em um esquema de tráfico de órgãos.

De acordo com o Tribunal de Justiça, o depoimento se encerrou às 19h. Nesta quarta está previsto o interrogatório dos outros dois réus, os médicos Pedro Henrique Masjuan Torrecillas e Mariano Fiore Júnior. Antônio Aurélio de Carvalho Monteiro, morto no ano passado, também era acusado dos mesmos crimes.

O julgamento entrou nesta terça no segundo dia e poderá se estender até a quinta-feira. Os crimes foram cometidos entre setembro e dezembro de 1986. Segundo o Ministério Público Estadual, os médicos simulavam que os pacientes tinham sido vítimas de lesões cerebrais quando, na verdade, eles morreram por causa da extração dos órgãos.