Em protesto contra a corrupção, jovens acampam no centro de Campinas

Um grupo formado por pelo menos 30 jovens montou barracas de camping em plena praça da Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Conceição, no centro de Campinas, a 83 km de São Paulo, para protestar especialmente contra a corrupção. As tendas começaram a ser erguidas no último sábado e até esta quarta-feira são seis, que abrigam mais de 20 manifestantes, que se revezam dia e noite.

O acampamento no coração comercial da cidade foi inspirado em movimentos sociais que ocorrem em várias partes do mundo, como em Nova York, nos Estados Unidos, com o Ocupy Wall Street, e em países europeus como Inglaterra, Itália e Espanha. 

De acordo com os manifestantes o protesto é contra as mazelas do mundo, presentes em qualquer ponto do planeta e em especial nos grandes centros urbanos, como a corrupção, o capitalismo, a miséria e a falta de opção de vida digna.

Em Campinas o grupo se intitula Anonymous. Eles não declaram seus nomes, onde moram, escondem os rostos sob máscaras e trocam ideias por redes sociais. Por meio de cartazes espalhados no chão, penduradas nas barracas e até no pedestal da estátua de Dom Nery, o grupo se apresenta a quem passa.

Quem cruza o local também é convidado a assinar um abaixo-assinado que pede a lei da Ficha Limpa, o impeachment dos políticos acusados de desvio de dinheiro público e aplicação de 10% do produto interno bruto (PIB) em educação.

"A nossa bandeira em nível municipal é direcionada a ocupar o espaço público, contra a corrupção e exigindo o afastamento do prefeito Demétrio", disse uma jovem mascarada. "O anonimato é porque não temos uma luta individualista e sim um coletivo, um grupo. Não temos um líder ou porta-voz, somos apartidários e nosso movimento é em favor da população", completa.

Um rapaz diz que o grupo vai continuar no acampamento "pelo tempo que for necessário". "No nosso grupo tem gente que vai estudar, trabalhar, passear e depois volta aqui. Vamos persistir".