Pernambuco responsabiliza Estado Unidos por descarte hospitalar 

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), responsabilizou nesta terça-feira os Estados Unidos pelo descarte hospitalar encontrado em contêineres no porto de Suape, no litoral sul do estado.

"Faltou fiscalização nos Estados Unidos, de onde a mercadoria saiu e não deveria ter saído", disse ele que deve entrar com uma representação, por meio do Ministério das Relações Exteriores, para exigir uma explicação dos americanos.

Na tarde desta terça-feira, entidades como a Receita Federal, Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) e Polícia Federal se reuniram no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo, para discutir formas de amenizar o impacto da chegada do lixo clandestino ao pólo de confecções do Agreste. As vendas de roupas nas cidades de Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, no agreste do Estado, caíram em cerca de 50%. Mercado que gera cerca de 150 mil empregos diretos em suas 22 mil empresas.

Eduardo Campos disse ainda que a Receita e a Polícia Federal estão preparadas para a chegada de 14 novos contêineres com descarte hospitalar também vindos dos Estados Unidos. "Eles vão ser devidamente apreendidos. Tudo o que chegar de contêiner de tecido passará por uma rigorosa fiscalização, inclusive pelos equipamentos de scanner que há no porto e por verificação física", afirmou.

Durante a reunião, ficou acertada a criação de uma Comissão especial com representantes do governo, vigilância sanitária e lojistas do setor para administrar o caso. A primeira reunião do grupo será na próxima sexta-feira, no Palácio do Campo das Princesas.

Ontem, fiscais da Apevisa encontraram lençóis de hospitais americanos sendo usados em um hotel de Timbaúba, na região norte de Pernambuco. Durante a fiscalização, a agência ainda encontrou, em um galpão da cidade de Caruaru, no agreste, 10 t desses mesmos tecidos. A PF instaurou inquérito para apurar as responsabilidades pelo caso. As investigações serão coordenadas pelo delegado Fernando Aires.