Após fim da greve, bancos de Salvador, Maringá e Rio Branco têm longas filas

Quem decidiu procurar os bancos na manhã desta terça-feira precisou de bastante paciência. Após o anúncio do fim da grave dos bancários, que já durava 21 dias, a procura pelo atendimento foi grande e longas filas se formaram em frente a agências em diversos estados. 

Em Salvador, na Bahia, a Polícia Militar chegou a preparar um esquema de segurança especial ao redor de algumas das 230 agências da cidade. Não foram registradas ocorrências, mas a espera era longa. Em Maringá, no norte do Paraná, os clientes reclamavam da lentidão no atendimento e da desorganização das filas, que chegavam a 200 metros nos bancos mais procurados. O panorama no Acre não foi diferente. Na capital Rio Branco, muitas das agências ficaram superlotadas e em algumas houve princípio de tumulto. 

O fim da greve, que já durava 21 dias e chegou a interromper os trabalhos em 9.254 agências e centros administrativos de bancos públicos e privados em todo o país, foi anunciado na noite desta segunda-feira, pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

As propostas apresentadas Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federalforam aprovadas em cidades como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Bahia, Mato Grosso, Campinas, Uberaba, Londrina, Criciúma, Blumenau, Teresópolis, Vitória da Conquista, Dourados e Campina Grande, entre outras. Sindicatos de outros locais ainda seguem em assembleia nesta terça-feira.

Com o fim da negociação, ficou acordado que o reajuste salarial será de 9% (aumento real de 1,5%), a valorização do piso da categoria será de 12% (que passará para R$ 1.400) - é o oitavo ano consecutivo em que os trabalhadores recebem aumento real, de acordo com a entidade. Segundo o sindicato, o reajuste de 9% também será aplicado para demais verbas salariais como vale-refeição, cesta-alimentação e auxílio creche-babá.

Também foi ampliado em até 27,18% o valor fixo pago aos trabalhadores na Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Agora, a regra da PLR será de 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.400. Essa parte fixa, em 2010, era de R$ 1.100,80. A regra determina, ainda, que devem ser distribuídos no mínimo 5% do lucro líquido auferido pelos bancos. Se isso não acontecer, os valores de PLR devem ser aumentados até chegar a 2,2 salários com teto de R$ 17.220,04.

Outra mudança é sobre a indenização dos trabalhadores. Uma nova cláusula que trata de aviso prévio proporcional foi adicionada à Convenção Coletiva de Trabalho e está acima, para os bancários, do que determina a nova legislação sobre o tema. A proposta prevê que para até cinco anos de trabalho, serão pagos 60 dias de aviso prévio; de 5 a 10 anos, 75 dias; de 10 a 20 anos; 90 dias; e mais de 20 anos, 120 dias.

Não haverá desconto dos trabalhadores, que terão de compensar os dias parados no máximo até 15 de dezembro.

Os bancos também se comprometeram a acabar com o transporte de valores por bancários. As instituições financeiras não poderão mais publicar ranking individual de metas.

No caso da Caixa Econômica Federal, o acordo prevê ainda a contratação de pelo menos 5 mil novos bancários