Amorim diz que ainda há 'considerações financeiras' sobre a compra dos Rafale

O ministro brasileiro da Defesa, Celso Amorim, afirmou nesta terça-feira que o Brasil sabe que "não poderá adiar indefinidamente sua decisão" sobre a compra de aviões de combate Rafale da França, mas que agora prevalecem as "considerações financeiras".

"O tema dos aviões de combate foi evocado de forma bastante geral" e "neste momento a consideração fundamental diante de uma decisão é de ordem financeira e econômica dada a situação do mundo", respondeu Amorim em uma coletiva de imprensa conjunta com o ministro da Defesa francês, Gérard Longuet.

Questionado insistentemente a respeito, o ministro brasileiro fundamentou a posição do Brasil em que, embora "a economia do Brasil crescerá 4%, não sabemos exatamente quais serão as consequências da crise financeira mundial no Brasil".

"É preciso ser prudentes, sem esquecer que nossas necessidades em defesa vão exigir uma decisão que não poderá ser adiada indefinidamente", acrescentou Amorim, que destacou o diálogo "muito aberto e franco" com a França em relação à cooperação em diversos âmbitos, como a "defesa cibernética".

A França segue aspirando obter uma milionária licitação com o Brasil para a venda de 36 aviões de combate Rafale, do construtor aeronáutico francês Dassault Aviation, que está a serviço das Forças Armadas francesas, mas que nunca foi vendido ao exterior.

O Brasil adiou em 2010 sua decisão sobre esta operação em virtude de cortes orçamentários.

O antecessor de Amorim, Nelson Jobim, indicou na França em julho que uma decisão sobre a eventual compra do Rafale foi adiada "até o início de 2012".

Amorim, que respondeu a todas as perguntas em francês, disse que "não está excluída" uma decisão em 2012, mas esclareceu que "não está prevista".

No entanto, admitiu que a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) precisa ser renovada. "Há urgência porque, por exemplo, a vida útil dos Mirage está se esgotando e será muito caro mantê-los depois de 2013".

"Mas não é apenas a urgência o que determina as coisas, mas também as possibilidades materiais", insistiu o ex-chanceler brasileiro.

Três construtores aeronáuticos disputam esta licitação de 4 a 7 bilhões de dólares: além da Dassault se apresentaram a americana Boeing, com o F/A-18 Super Hornet, e a sueca Saab, com o Gripen NG.