SP: protesto marca 1 mês da morte de mãe e filha atropeladas 

No dia em que o atropelamento de uma mulher e sua filha em frente ao Shopping Villa-Lobos, em São Paulo, completa um mês, manifestantes espalharam flores e cartazes no local do acidente para marcar a data e pedir punição ao motorista do veículo que matou as duas vítimas. O auxiliar bibliotecário Marcos Alexandre Martins foi preso em flagrante com sinais de embriaguez logo após o acidente, mas teve a prisão relaxada pela Justiça no dia 3 de outubro.

O acidente ocorreu no dia 17 de setembro na Marginal Pinheiros. Miriam Afife José Baltresca, 58 anos, e sua filha Bruna Baltresca, 28 anos, andavam pela calçada na altura do Shopping Villa-Lobos quando foram atingidas pelo Golf dirigido por Marcos Alexandre Martins. O choque foi tão violento que peças e acessórios do carro foram arremessados a uma longa distância - o motor chegou a ser retirado do seu compartimento. O ponteiro do veículo parou marcando 100 km/h. Na pista local da marginal, o limite é de 70 km/h.

Um bombeiro que atendeu o auxiliar afirmou que o homem aparentava sinais de embriaguez e cheirava a bebida alcoólica. No Hospital São Luiz, para onde ele foi levado, os médicos fizeram a mesma descrição ao delegado plantonista, que solicitou coleta de sangue para exame de embriaguez. Depois de receber alta, o homem foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização do exame. O delegado plantonista considerou haver provas suficientes para indicar que o motorista teve a intenção de provocar o acidente, já que assumiu o risco ao ingerir bebida alcoólica e dirigir em alta velocidade.

No início deste mês, o Tribunal de Justiça de São Paulo aprovou o relaxamento de prisão de Martins. Conforme a decisão do juiz Emanuel Brandão Filho, o auxiliar bibliotecário está livre do pagamento de fiança e responderá por homicídio doloso (quando o autor tem a intenção ou assume o risco de matar alguém).

Enquanto aguarda as investigações do acidente e futuro processo judicial, Martins está proibido de dirigir, deve comparecer a cada trimestre em juízo para informar e justificar suas atividades, não poderá acessar ou frequentar bares, boates e outros locais onde são comercializadas bebidas alcoólicas, está proibido de se ausentar da Comarca, salvo expressa autorização do juízo, e deverá ficar recolhido em sua casa à noite.

Protesto

Um mês após o atropelamento, familiares e amigos das vítimas protestaram em frente ao shopping, pedindo punição ao motorista. Em faixas fixadas no muro próximo ao local do atropelamento, os manifestantes afirmam que "os justos não podem pagar pelos irresponsáveis" e que as mortes "não foram um acidente".