Sinagoga transmite ao vivo celebração do Ano Novo judaico

Os serviços religiosos mais importantes do calendário judaico: o Ano Novo, Rosh Hashaná, e o Dia do Perdão, Iom Kipur, realizados na sinagoga da Sociedade Israelita Brasileira de Porto Alegre (Sibra), serão transmitidos pela primeira vez ao vivo pela internet, a partir da noite desta quarta-feira, às 19h.

Segundo o rabino Guershon Kwasniewski, a iniciativa visa usar a tecnologia para levar as festividades para as pessoas que, por algum tipo de problema, não possam estar presentes. "Pessoas com dificuldade de locomoção, idosos, doentes, judeus que estão em cidades onde não tem sinagoga, pessoas que estão fora da cidade, estudando em outros países, mas também é a oportunidade de chegar ao público em geral que deseje conhecer a cultura judaica", afirma.

"Muitas pessoas que moram em Israel, mas são brasileiros, já nos disseram: 'que bom, vamos poder matar a saudade da sinagoga que sempre freqüentamos", disse. Kwasniewski afirma que muitas pessoas já estão levando os laptops para os hospitais para que os que estão doentes possam acompanhar as celebrações online.

As festividades comemoram a chegada do ano novo 5.772 judaico e têm três dias de duração. As transmissões começam às 19h de hoje, e às 9h e às 19h, na quinta e na sexta. No dia 7 de outubro, as festividades ocorrem a partir das 18h30 e no dia 8, às 9h e às 16h. "Pela primeira vez na história do Brasil, de que tenhamos registro, vamos levar ao ar, na íntegra, o serviço religioso do Rosh Hashaná, do Ano Novo Judaico, e Iom Kipur, Dia do Perdão, na sinagoga da Sibra, que neste ano completa 75 anos", comemora o rabino.

Kwasniewski diz que a ideia não é substituir a presença física pela virtual nas sinagogas, porque nada substitui o Minian, palavra em hebraico que significa o quórum mínimo para a realização das rezas. "Nós fazemos um chamado para que todos os judeus compareçam em suas sinagogas, onde o objetivo principal das festividades se dá no marco comunitário e familiar, e o contato é o mais importante. Nós temos na tradição judaica, como elemento principal, ter um grupo mínimo de congregantes para realizar uma reza, então, isso nunca vai ser substituído pela tecnologia, em hebraico isso se chama Minian", esclarece.

Kwasniewski explica que as festividades são focadas na espiritualidade e a sinagoga é o local central da celebração do Ano Novo Judaico e do Dia do Perdão. "Lembramos da criação do mundo, da criação do homem, mas também podemos lembrar da tecnologia desenvolvida por esse homem. Nós somos uma sinagoga moderna, por isso, não podemos ficar de costas para os avanços, pelo contrário, temos que abraçar os avanços e aplicá-los em serviço da comunidade".

O rabino, que faz parte de um grupo de diálogo inter-religioso, diz que a transmissão abre a possibilidade para adeptos de outras religiões se integrarem e conhecerem a cultura judaica. "É através do conhecimento que adquirimos o respeito pelo próximo".

O calendário judaico é regido pela Lua, com datas diferentes do calendário gregoriano. "Nossos meses têm nomes diferentes e o Ano Novo Judaico cai no dia 1º do mês de Tisherei. Nós celebramos a chegada do ano 5.772, que é baseado em uma contagem desde a criação do mundo". Segundo o rabino, o tema da celebração é o arrependimento. "Quando nos acercamos dos nossos próximos, com humildade, para pedir perdão pelos erros cometidos no ano que se encerrou", explica o rabino, destacando a coragem de reconhecer o erro e pedir o perdão.