Rejeição de processo contra Costa Neto repercute no Twitter

O arquivamento da investigação contra o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), suspeito de participar de um suposto esquema de superfaturamento de contratos de obras no Ministério dos Transportes e de cobrar propina de uma empresa que administrou a Feira da Madrugada, em São Paulo, repercutiu no Twitter e chegou a ganhar os Trending Topics, mecanismo que permite aos usuários acompanharem os assuntos mais comentados no microblog. Por 16 votos a dois, o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar rejeitou dar seguimento a representação do PPS e do Psol.

"Conselho de Ética sem Ética!!! Como pode arquivar o processo de Valdemar Costa Neto? Inconformada!!!", protestou a usuária @silvianetto. Já @monicamnsilva demonstrou descontentamento: "Arquivamento do processo do Valdemar Costa Neto. Pizza GG, hein, Conselho de Ética."

Alguns internautas preferiram a ironia. "Valdemar Costa Neto absolvido de novo???? E pq Fernandinho Beira-Mar ainda está preso?? Pode soltar...", sugeriu @NaldoSilvaFM. Em sua postagem, @VideosEsp adotou bom humor: "Se o Conselho de Ética fosse uma peça de computador, seria um HD, pois sua função é só a de arquivar."

Houve também quem já se mostrasse preparado para a decisão, como @wanderleyjp: "NENHUMA NOVIDADE... - Conselho de Ética arquiva processo contra Valdemar Costa Neto". A mensagem de @anaribeirod acompanhou o tom: "Quem no Brasil não sabia que o Valdemar Costa Neto iria se safar mais uma vez? Normal...".

Na sessão que confirmou o arquivamento do caso, a maior parte dos deputados rejeitou o relatório do deputado e delegado licenciado da Polícia Federal, Fernando Francischini (PSDB-PR), que defendia a continuação das investigações e considerava haver indícios de prática de crime por parte de Costa Neto.

A crise no Ministério dos Transportes

Uma reportagem da revista Veja do início de julho afirmou que integrantes do Partido da República haviam montado um esquema de superfaturamento de obras e recebimento de propina por meio de empreiteiras dentro do Ministério dos Transportes. O negócio renderia à sigla até 5% do valor dos contratos firmados pelo ministério sob a gestão da Valec (estatal do setor ferroviário) e do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O esquema seria comandado pelo secretário-geral do PR, Valdemar Costa Neto. Mesmo sem cargo na estrutura federal, ele lideraria reuniões com empreiteiros e consultorias que participavam de licitações do governo no ramo.

O PR emitiu nota negando a participação no suposto esquema e prometendo ingressar com uma medida judicial contra a revista. Nascimento, que também negou as denúncias de conivência com as irregularidades, abriu uma sindicância interna no ministério e pediu que a Controladoria-Geral da República (CGU) fizesse uma auditoria nos contratos em questão. Assim, a CGU iniciou "um trabalho de análise aprofundada e específica em todas as licitações, contratos e execução de obras que deram origem às denúncias".

Apesar do apoio inicial da presidente Dilma Rousseff, que lhe garantiu o cargo desde que ele desse explicações, a pressão sobre Nascimento aumentou após novas denúncias: o Ministério Público investigava o crescimento patrimonial de 86.500% em seis anos de um filho do ministro. Diante de mais acusações e da ameaça de instalação de uma CPI, o ministro não resistiu e encaminhou, no dia 6 de julho, seu pedido de demissão à presidente. Em seu lugar, assumiu Paulo Sérgio Passos, que era secretário-executivo da pasta e havia sido ministro interino em 2010.

Além de Nascimento, outros integrantes da pasta foram afastados ou demitidos, entre eles o diretor-geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Dnit, Hideraldo Caron - único indicado pelo PT na direção do órgão -, o diretor-executivo do Dnit, José Henrique Sadok de Sá, o diretor-presidente da Valec, José Francisco das Neves, e assessores de Nascimento.