ONG do Disque-Denúncia do Rio vai instalar serviço no PA

O Disque-Denúncia, da organização não governamental (ONG) Instituto Brasileiro de Combate ao Crime (IBCC), não ficará mais restrito ao Estado do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira, durante seminário na capital fluminense, o IBCC anunciou que instalará o serviço em Marabá (PA), um dos quatro municípios onde ocorrem mais assassinatos no País, segundo o Mapa da Violência 2011, do Ministério da Justiça.

Localizada no sudoeste do Pará, Marabá é a quarta cidade mais populosa do Estado, com cerca de 233 mil habitantes. De acordo com o IBCC, baseado em dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o município tem uma taxa de 100 homicídios para cada 100 mil habitantes. Já o Mapa da Violência 2011 coloca a cidade, distante 440 km de Belém, em segundo lugar no ranking da violência contra a mulher paraense.

Durante o seminário, o IBCC também informou que o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação deve destinar R$ 950 mil para a organização do banco de dados do Disque-Denúncia do estado do Rio. O dinheiro será repassado por meio de convênio, ainda em negociação, com Financiadora de Estudo e Projetos (Finep). Será a terceira vez que o órgão investirá nessa iniciativa.

Administrada pelo IBCC, a central telefônica já recebeu mais de 1 milhão de denúncias desde a implantação do sistema, em 1995. Com os novos recursos do governo federal, a ONG pretende criar uma sala de situação de estudos, vigilância e inteligência de natureza criminal e informações analíticas de segurança pública para pesquisar e integrar os dados, facilitando a troca de informações com a Polícia Civil e outros órgão de inteligência, segundo o presidente do IBCC, José Antonio Fortes.

De acordo com a ONG, a principal vantagem do serviço no Rio é contar com a confiança de milhares de informantes. Outro importante aliado é a mídia, que divulga campanhas com imagens dos suspeitos e recompensas em dinheiro por informações que levem aos criminosos. Somente neste ano, o Disque-Denúncia ofereceu prêmios de R$ 100 mil.

Na maioria das vezes, ressalta o presidente do IBCC, os denunciantes não buscam o dinheiro. Segundo ele, a principal motivação para denúncia é a indignação, não a recompensa. O serviço recebe cerca de 600 ligações por dia no Estado do Rio. Somente na capital, nos primeiros seis meses deste ano, foram cerca de 50 mil chamadas para a central. 

"Essas informações", acrescentou Fortes, "ajudam em uma operação policial". Elas também ajudam, assinalou, a montar ações voltadas a combater determinado tipo de crime por área ou por padrão. O tráfico de drogas e a violência doméstica lideram as estatísticas de ligações telefônicas. No ano passado, durante a ocupação policial no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, o serviço recebeu 1.136 chamadas.