Fazendeiro de café em Minas é denunciado por trabalho escravo 

O Ministério Público Federal em Patos de Minas (MG), a 500 quilômetros de Brasília, denunciou o proprietário da Fazenda Cachoeira do Bom Jardim (nome de fantasia Fazenda Cometa), situada no município de Patrocínio, por crime de trabalho escravo. Também foram denunciados o gerente geral da fazenda e um tratorista que teria atuado como “gato”.

As 26 vítimas, vindas da Bahia e do Maranhão, foram aliciadas, mediante falsas promessas de boas condições de trabalho, para atuar no plantio de café. Transportados em ônibus clandestinos até a Fazenda Cometa, os trabalhadores tiveram suas passagens posteriormente descontadas do salário.  De acordo com o MPF,os 26 empregados tiveram suas carteiras de trabalho retidas pelos denunciados, alguns ainda na cidade onde foram recrutados. Os documentos só foram devolvidos após autuação dos auditores do Ministério do Trabalho.

Como recebiam por produtividade, os trabalhadores eram submetidos a jornadas que, em alguns casos, iam das seis da manhã às 18h, inclusive aos domingos. Não foram fornecidos equipamentos de proteção individual necessários para a colheita do café e as próprias luvas tinham de ser compradas de um dos denunciados.

Também não havia qualquer instalação sanitária no local, o que obrigava os empregados a fazer suas necessidades fisiológicas no mato ou entre os pés de café. A alimentação era de péssima qualidade e a água, em quantidade insuficiente, provinha de local contaminado por animais, insetos e detritos. Alguns produtos (açúcar, farinha e bolachas) eram fornecidos mediante desconto na remuneração. Em alguns casos, as dívidas contraídas pelos trabalhadores ultrapassaram 25% do salário recebido.

Pelo menos dois menores foram encontrados entre as vítimas e um terceiro — embora já fosse maior de idade no dia da inspeção — começara a trabalhar na fazenda quando ainda não havia completado 18 anos.