Crianças retomam aulas na escola onde aluno se matou

Os alunos da escola municipal Alcina Dantas Feijão, em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo, retornaram às aulas na manhã desta quarta-feira, seis dias após um aluno de dez anos atirar na professora e se matar logo em seguida. Eles combinaram a volta com um evento nas redes sociais chamado Retorno de Paz, em que sugeriram que todos vestissem branco e trouxessem bexigas e rosas da mesma cor. Por causa do tempo frio por volta das 6h30, muitas vieram com a camiseta branca por cima do agasalho do uniforme escolar.

O clima de volta às aulas estava normal; nada indicava que tivesse havido uma tentativa de homicídio e um suicídio na semana anterior. O discurso de todos era de dissociar a instituição de ensino do ocorrido na quinta-feira da semana passada.

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"A culpa não é da escola. Acho que ela não deveria ser culpada", disse uma das crianças, R. F. M., 14 anos. Às 7h, começa o turno das 900 crianças que estudam no ensino médio, com idades que variam de 14 a 17 anos. O grupo é mais velho do que o estudante que baleou a professora na semana anterior - ele era do 4º ano e estudava à tarde.

Um psicólogo da prefeitura estava presente na escola para acompanhar a retomada das atividades letivas após a tragédia, atendendo as crianças e os professores na escola. "Estamos preocupados com o bem estar das crianças. Se necessário, vamos abraçá-las, deixar que chorem e desabafem", explicou Sérgio Mayer.

Jose Figueiredo, 40 anos, veio trazer a filha de 12, e disse que a menina tinha medo de voltar pois lembraria do que aconteceu - ela viu o corpo do aluno caído no corredor, sangrando. "O medo dela é que aconteça novamente. Mas eu procuro acalmá-la dizendo que foi uma fatalidade, como um assalto ou um acidente."

"A escola não vai mudar. Não tem como colocar um detector de metais, porque são 900 alunos por turno", ponderou o aluno R. M. S., 15 anos. Uma professora que acompanhou a filha até a entrada da escola disse confiar que a instituição vá orientar as crianças da melhor forma. "A escola é muito boa. Elas vão ter toda a orientação necessária."

Na hora do intervalo da manhã, haverá uma cerimônia em homenagem ao aluno morto e à professora baleada, onde será lida uma crônica escrita por uma das professoras e tocada a música 'Pais e Filhos', do grupo Legião Urbana. "Vamos tentar fazer com que a volta às aulas não seja uma coisa pesada", disse o psicólogo Sérgio Mayer.