Fome e estresse ameaçam trabalho de voluntários em SC

A falta de estrutura e alimentação a voluntários na cidade de Itajaí vem comprometendo o trabalho de triagem de donativos. Foi preciso que os militares que atuam na região atingida pela enchente após as intensas chuvas dos últimos dias realizassem uma reunião e pedissem que "a fome e o estresse fossem combatidos com disciplina".

Um voluntário, que pediu para não ser identificado, reclamou que já era quase meia-noite e a última alimentação teria sido servida às 16 horas. Segundo ele, em 2008 havia mais informações para as pessoas que passavam a madrugada trabalhando. "Não temos informação, água, café. Não temos nada", disse o jovem. "Estão todos perdidos e sem saber o que fazer. Seria mais fácil encher o carro de doações e levar para as áreas atingidas".

O grupo da 14ª Brigada de Infantaria atua no centro de triagem de donativos de Itajaí, cidade localizada a 90 km de Florianópolis, há mais de 12 horas. Diante da ameaça de crise e debandada de voluntários, o major Marcius Vinícius, comandante do grupo, fez uma reunião com voluntários na madrugada deste domingo. A intenção era organizar a distribuição de roupas, alimentos, água e colchões. 

 "O Exército só vai parar de trabalhar quando o último desabrigado for atendido. Nessas horas tão difíceis a gente precisa de disciplina e muita dedicação, pois não podemos parar sem conquistar o objetivo que traçamos", disse.

O militar destacou que inúmeros voluntários tem se apresentado para levar mantimentos ou ajudar na triagem do material recebido. Diferente da enchente de 2008, quando a arena da Marejada chegou a se transformar no gabinete do vice-governador Leonal Pavan, neste episódio os voluntários lutam contra a falta de água e estrutura e chegaram a reclamar da falta de comida. "Temos estresses, todo mundo está cansado e com fome, mas não vamos parar", afirmou o militar. "As dificuldades são gritantes, mas precisamos atender quem precisa do Exército e dos voluntários", concluiu.