Suspeito de matar punk em briga com skinheads é preso em SP

O jovem suspeito da morte do integrante de um grupo punk Johni Raoni Falcão, esfaqueado após uma briga contra skinheads São Paulo, no último sábado, foi preso nesta sexta-feira, após a Justiça decretar sua prisão temporária. De acordo com a Polícia Civil, Guilherme Louzano Oliveira, 20 anos, era monitorado e foi conduzido ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) para prestar depoimento nesta tarde. Em seguida, saiu a decisão judicial.

O crime aconteceu em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista, em frente à casa de shows Carioca Club, onde centenas de pessoas aguardavam para o show da banda de punk inglesa Cock Sparrer. De acordo com o porta-voz da PM de São Paulo, capitão Cleodato Moisés, a polícia foi avisada pelo proprietário da casa noturna e pelo serviço de inteligência que monitorou as mídias sociais. Porém, mesmo com a presença policial, membros das gangues rivais se enfrentaram.

Durante o confronto, que envolveu mais de 200 pessoas, foram presos oito suspeitos, mas como não foi possível provar a participação de nenhum deles nas agressões, todos foram liberados pela polícia. Fábio dos Santos Medeiros, 21 anos, também foi agredido na confusão, sofreu traumatismo craniano e está no Hospital das Clínicas em estado grave. O corpo de Johni foi cremado na terça-feira.

A delegada Margarete Barreto, titular da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), afirmou que Guilherme tem uma passagem pela polícia, em função de uma briga em Osasco também entre punks, em data não informada. "Ele é um ex-punk que agora o integra o movimento neonazista, já foi detido em outras oportunidades pela Decradi e já constava em nosso banco de dados", disse. O jovem, segundo ela, trabalha em uma empresa da família e mora na zona leste da capital paulista.

"As investigações o apontavam (como suspeito), e também outros depoimentos. Ele disse que estava no local, mas que não cometeu o crime. (...) Há informações que houve um confronto combinado, mas não temos informação de premeditação da morte dessa pessoa", afirmou a delegada, que informou que pelo menos 20 pessoas foram ouvidas em seis dias de investigação. "Ele diz que estava no local (do crime), mas que não participou do crime. Ele admite ainda que participou de um grupo que cultua o neonazismo, mas que atualmente ele está fora do grupo".

Em depoimento, o acusado disse ainda que conhecia a vítima, informou Margarete. "Ele diz que é ex-amigo da vítima, mas que em virtude deles terem cada um adotado um grupo, um continuava a ser punk e outro tinha adotado um outro grupo, eles tinham se afastado. Essa é a versão dele, não brigado, se afastado", afirmou a delegada titular da Decradi.

"Nós ainda estamos em curso das investigações. Temos outras diligências que vamos efetuar. Achamos por bem divulgar sobre a prisão desse. Todas as provas e depoimentos protegidos que nós temos nos levam a dizer que ele é o autor desse homicídio. Outras pessoas podem ser ouvidas e outras pessoas podem ser presas também. Não podemos divulgar todo o teor das investigações, que ainda está em curso", disse o delegado José Carlos Carrasco, diretor do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).

"O crime aconteceu dia 3, hoje já é dia 9 e o inquérito já tem 400 páginas. É um crime de grupos, e é uma investigação trabalhosa. Não posso adiantar mais detalhes, isso dificultaria nosso trabalho", afirmou Margarete Barreto. Guilherme vai ficar preso no 2º DP e na segunda-feira as investigações prosseguem, de acordo com a polícia.