Novo prefeito de Campinas é afastado 4 dias após cassação de antecessor

Cerca de 36 horas depois de ter deixado a vice-prefeitura e assumido a chefia do Executivo de Campinas (SP), Demétrio Vilagra (PT) teve seu afastamento imediato aprovado, por 29 votos a quatro, pela Comissão Processante (CP) da Câmara de Vereadores. O afastamento ocorre quatro dias após o seu antecessor, o então prefeito Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT), ser tirado do cargo por 32 votos contra um.

Vilagra é acusado pelo Ministério Publico Estadual de envolvimento em desvios de verba pública. O autor do pedido de afastamento, o vereador Valdir Terrazan (PSDB), aponta infração político-administrativa, apadrinhamento político e compra de arroz, feijão e carne de avestruz destinada a merenda escolar enquanto Vilagra atuou como presidente da Ceasa.

O petista chegou a se reunir com o secretariado e determinar que fossem priorizadas as ações emergenciais, como o pagamento de servidores e fornecedores e, ainda, leilão presencial ou via internet para compras de material e serviços. Com a saída de Vilagra, quem assume a prefeitura é o presidente da Câmara, Pedro Serafim Júnior (PDT). Ele fica 90 dias no cargo até a determinação de novas eleições.

O processo de impeachment

Dr. Hélio foi cassado na manhã do ultimo sábado, após sessão ininterrupta de quase 50 horas. A leitura das mais de mil páginas, que começou na manhã do dia 18, exigiu o revezamento de vários vereadores da Casa. Os trabalhos da Comissão Processante começaram em 23 de maio, três meses após a divulgação do envolvimento da então primeira-dama e chefe de gabinete Rosely Nassim Jorge Santos em fraudes de contrato de licitações pela autarquia Serviço de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa).

As acusações contra a administração partiram do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e davam conta de uma rede de corrupção e desvios de verbas. Ao todo, 21 pessoas foram indiciadas e 13 presas preventivamente, dentre elas secretários, ex-agentes, empresários e o então vice-prefeito Demétrio Vilagra, que ficou preso por menos de 24 horas, sendo solto por habeas-corpus.

O pedido de impeachment do prefeito foi sustentado pela oposição pela impossibilidade de Dr. Hélio desconhecer os atos praticados por sua mulher dentro da prefeitura. Duas das principais declarações foram feitas pelo prefeito e pelo denunciante do escândalo da Sanasa, o ex-presidente da autarquia Luiz Augusto Castrillon de Aquino, beneficiado por uma delação premiada. Aquino confirmou em depoimentos à Justiça e à Câmara o pagamento irregular de 10% a 30% de cada contrato firmado com a prefeitura.