Campinas: posse de prefeito é discreta e sem público

A solenidade de posse de Demétrio Vilagra (PT) na prefeitura de Campinas, em substituição a Hélio de Oliveira Santos (PDT), o Dr. Hélio, é discreta e sem a presença de público. Eleito vice-prefeito, ele assume o cargo do pedetista, que foi afastado pela Câmara após suspeitas de participar de um esquema fraudulento em licitações. Hoje, Vilagra chegou ao prédio da prefeitura e acertou os detalhes da posse. À tarde, se reúne com aliados e vereadores.

O novo prefeito evitou falar com a imprensa e disse apenas que "sempre esteve tranquilo" quanto a um processo de impeachment, já que ele também é suspeito de estar envolvido no esquema que derrubou Dr. Hélio. Em mensagem divulgada através de sua página do microblog Twitter no último fim de semana, ele ressaltou que pretende dar continuidade ao compromisso assumido nas urnas e ao plano de metas do governo.

O prefeito afastado não esteve no Paço Municipal na segunda-feira e não é visto nos últimos dias por vizinhos no condomínio que reside com a família, na Vila 31 de Março. Um funcionário da sede do seu partido disse que não tem noticias de Dr. Hélio, assim como os assessores da prefeitura. O pedetista foi afastado do cargo por 32 votos dos 33 vereadores de Campinas, em uma sessão que durou quase 50 horas.

Novo prefeito é investigado pelo Ministério Público

Demétrio Vilagra pode ser alvo de uma Comissão Processante (CP) na Câmara Municipal após ter seu nome vinculado pelo Ministério Público (MP) a um suposto envolvimento no esquema de corrupção com desvio de dinheiro e fraudes em contratos de licitações, o mesmo que afastou o ex-prefeito, Dr. Hélio.

Com a investigação conduzida pelo MP, a Justiça chegou a pedir a prisão de 22 pessoas em maio deste ano, entre elas membros do primeiro escalão da prefeitura, ex-agentes públicos e empresários. Vilagra recebeu voz de prisão ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Guarulhos e ficou menos de 24 horas detido, pois obteve um habeas-corpus.

Segundo o presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT), não foi aceito o pedido da formação de uma CP solicitando o afastamento de Vilagra, pois ele ainda não assumiu efetivamente o cargo de prefeito. Vereadores do PSDB, principal sigla de oposição do governo Hélio-Vilagra, aguardam os desdobramentos da posse para pedir o afastamento do novo chefe do Executivo. Além das articulações que culminaram no afastamento do atual prefeito, a Câmara de Campinas conduz três Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para investigar má gestão da administração pública.

Três vices em 15 anos

Vilagra será o terceiro vice a assumir a prefeitura de Campinas na história recente da cidade. Em março de 1996, Edvaldo Orsi assumiu em razão da morte do prefeito José Roberto Magalhães Teixeira (PSDB).

Cinco anos depois, em setembro de 2001, nove meses após assumir a pasta, o prefeito Antônio da Costa Santos (PT), o Toninho do PT, foi assassinado com um tiro quando voltava para a casa dentro de seu carro. A vaga foi ocupada por Izalene Tiene.