Brasil apoia democracia na Líbia, mas condena violência, diz Patriota

O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou nesta terça-feira que o Brasil apoia o anseio do povo líbio por tentar instalar no país um regime democrático, mas condena que as ações dos rebeldes civis sejam marcadas pela violência. Os conflitos entre o regime pró-Muammar Kadafi e a população se intensificaram nos últimos dias e já mataram milhares de pessoas.

"Onde o Brasil pode ter tido uma posição diferenciada foi com respeito à utilização da força para proteção de civis, já que havia a suspeita e o temor de que essa autorização pudesse ser usada de forma desvirtuada como pretexto para tomada de posição em uma guerra civil, e compete somente aos líbios determinar seu futuro. De fato algumas de nossas apreensões se concretizaram. É problemático associar a promoção de democracia, de direitos humanos, a iniciativas militares. Vimos quantas mortes isso provocou no Iraque, no Afeganistão, quantos inocentes pereceram. Essa é uma preocupação grande que o País tem", afirmou.

Segundo Patriota, o governo brasileiro reconhece estados, não regimes, portanto o ministro não disse se o Brasil apoia ou não a iniciativa rebelde de derrubar Kadafi. O chanceler afirmou que, como o País é membro da ONU, vai se submeter à decisão do órgão internacional, que deve ser tomada na próxima assembleia-geral, em setembro.

"O que o Brasil apoia são as aspirações do povo líbio por liberdade, por democracia, por melhores oportunidades e por progresso institucional. O Brasil reconhece estados, não governo, de modo que não se trata de adotar alguma manifestação a respeito deste ou daquele governo, a situação se apresentará à ONU por ocasião da próxima assembleia-geral. Os países terão que examinar quem é o governo legítimo da Líbia, decisão que será acatada em conjunto pela comunidade internacional", disse.

O chanceler destacou que houve uma operação na Líbia para retirar funcionários de empresas brasileiras que desejassem sair do país em conflito. Patriota afirmou que o governo brasileiro tem mantido contato com representantes dos rebeldes e que não há temor pelos brasileiros que ainda estão em território líbio. "A mensagem que nos foi transmitida é de grande apreço pela contribuição que o Brasil tem dado à construção do país. Os contratos serão honrados, essa é nossa preocupação principal", alegou.

Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli

Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civilque cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.

A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de julho, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque.