Ministro rejeita CPI dos Transportes e fala em 'trauma' no Dnit

O ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, afirmou nesta terça-feira não ver necessidade para a criação da CPI dos Transportes, que buscaria apurar suspeitas de irregularidades no setor, e disse acreditar que apurações institucionais e da Justiça poderão esclarecer as denúncias de fraudes, superfaturamento de obras e cobrança de propina de empreiteiras. 

Em depoimento na Comissão de Infraestrutura do Senado, Passos chegou a classificar como "trauma" o desmonte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) que, em meio às suspeitas, teve seis de seus sete diretores afastados.

"Não acho que tenhamos necessidade de uma CPI para esclarecer, apurar e verificar e para punir quem quer que seja. Temos hoje instrumentos, meios, seja do ponto de vista institucional e legal. Acredito e confio e acho que esse é o caminho que deve ser seguido para a apuração de irregularidades e desvios de conduta", disse ele.

"A minha atitude, condução e forma de agir sempre se pautaram pelos melhores princípios de conduta ética. Em face das denúncias que foram apresentadas e depois repercutidas, providências foram tomadas, sim, no sentido da apuração", afirmou. "Não há de nossa parte o propósito de praticar atos à revelia da lei ou da norma estabelecida. Absolutamente."

Em depoimento, Paulo Sérgio Passos explicou, por exemplo, que aditivos de obras, um dos possíveis focos de irregularidades, "não nascem de uma canetada de um diretor", e enfatizou que é servidor público há 38 anos e honesto. "Quem está lhe falando aqui é um homem correto, honesto, de vida e de passado limpos", afirmou o ministro.

Passos também defendeu a conduta ética de seu secretário-executivo, Miguel Masella. "É alguém que tem 38 anos na esfera federal servindo da melhor forma a causa pública. O secretário-executivo que está comigo o conheço há 38 anos e posso lhe afiançar que se trata de um profissional integro, correto tanto quanto eu. Não acredito que possa participar ou compactuar com qualquer iniciativa (de irregularidade)."

Em sua exposição, Passos também negou que tenha liberado irregularmente recursos a projetos que, por indícios de fraudes, não poderiam receber repasses do governo federal. O chefe dos Transportes atende a convite dos senadores para explicar denúncias de supostas irregularidades envolvendo a pasta e autarquias a ela subordinadas, como o Dnit. No caso da autarquia, o ministro chegou a fazer um apelo para que a nova diretoria seja logo analisada pela Comissão de Infraestrutura do Senado. "É uma equipe inteiramente profissionalizada. São profissionais de carreira, sem qualquer tipo de vinculação partidária", disse.