Líder do governo nega 'panos quentes' e diz que base apoia investigações

Em meio às denúncias que atingem diferentes ministros do governo, a presidente Dilma Rousseff iniciou nesta segunda-feira uma série de conversas com lideranças da base aliada no Congresso Nacional. PT e PMDB foram os primeiros a serem chamados ao Palácio do Planalto. Na ocasião, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que "não há panos quentes" em relação às acusações de corrupção e que a maioria na base do governo apoia as investigações das denúncias.

Depois da crise que atingiu o Ministério dos Transportes, comandado pelo PR, o Ministério da Agricultura e, na última semana, o Ministério do Turismo, ambos comandados pelo PMDB, foram os novos alvos de denúncias de corrupção. O líder Jucá, no entanto, afirma que o partido está "tranquilo". "O PMDB está acompanhando as investigações, está tranquilo, confia na Justiça e espera que essas investigações mostrem que, efetivamente, as pessoas do PMDB não têm nada a ver com essa história".

Questionado sobre o depoimento que o ministro do Turismo, o peemedebista Pedro Novais, dará ao Legislativo nesta semana sobre denúncias de desvios de recursos em sua pasta, Jucá disse que "o ministro é um político experiente, vai saber se portar, e a base do governo vai estar presente para dar suporte com unidade, trabalho e responsabilidade, esclarecendo os pontos. Cada ministro do governo irá ao Congresso dar as explicações quando necessário".

Jucá acredita que as reuniões de Dilma com a base podem fortalecer a governabilidade. "A ideia é que se crie um vínculo maior dos partidos com o governo e a própria presidenta", disse.

Liberação de emendas

O líder do governo na Câmara dos Deputados, Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que a liberação de emendas de parlamentares não foi discutida na reunião com a presidente Dilma. Afirmou, no entanto, que a definição do cronograma de liberação dos recursos contingenciados será feita pela ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti.

"É natural que nós conversemos sobre emendas. As emendas se coadunam com os projetos dos senadores e deputados para o desenvolvimento do País. É natural também que o governo libere a emenda dos deputados. Já passou o período de contingenciamento para as emendas então vamos discutir como isso será feito até o final do ano", disse, acrescentando que o valor de R$ 1 bilhão de recursos a serem liberados já estava definido, restando apenas discutir como será feita o repasse.

Segundo Jucá, o levantamento que está sendo feito pela ministra Ideli definirá um cronograma "a partir do momento que o governo tiver conforto econômico e financeiro pra fazer a liberação".

Clima nebuloso na base

A não liberação de emendas parlamentares e a faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff nos ministérios dos Transportes e da Agricultura esfriou o clima na base governista. No dia 10 de agosto, os aliados na Câmara chegaram a impedir a votação em gesto de protesto. A rebelião ganhou mais força com os movimentos do Partido da República (PR), que tem indicado intenção de sair da base.

Nesta segunda-feira, o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que haverá "manifestações" para que os congressistas sejam respeitados. "A falta de uma clareza, de uma franqueza, de um respeito ao Parlamento pode criar insatisfações graves", afirmou o peemedebista a jornalistas após cerimônia no Palácio do Planalto.

Um dia após a coalizão trancar a pauta da Câmara, o líder do governo na Casa, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), havia dito que o impasse estava resolvido. "A base pode estar relaxada ou pode estar estressada, mas nós temos muita unidade, e as pessoas têm noção das suas responsabilidades", disse. O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), por sua vez, comparou o clima na base à cerração, intensa neblina característica do inverno gaúcho. "O clima na base está como o Rio Grande do Sul de manhã: gelado e com cerração", disse o deputado em conversa informal com jornalistas.

Jucá adotou discurso apaziguador. "O PMDB tem dado algumas assinaturas de senadores que efetivamente têm uma posição divergente, mas nós temos pregado à base que não é interessante, salutar ou construtivo dar à oposição um instrumento para fustigar o governo. O que a oposição quer é fazer o embate político-eleitoral, e o governo não deve colaborar para isso", disse, também na última quinta-feira, acrescentando que a base deve se unir para "apoiar a governabilidade".