Ex-juiz Rocha Mattos é condenado a 6 anos e à perda dos bens

A Justiça Federal condenou o ex-juiz João Carlos da Rocha Mattos a 6 anos e 6 meses de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro. Além disso, decretou a perda dos bens do réu - um apartamento de cobertura do Edifício Queen Julie, na rua Maranhão, em Higienópolis, e uma casa no condomínio Dolce Villa, no Alto da Boa Vista, em São Paulo. 

A pena imposta pelo juiz Marcelo Costenaro Cavali, da 6ª Vara Federal Criminal, é mais que o dobro da que foi aplicada a Rocha Mattos no rumoroso caso Anaconda - processo que custou a toga ao ex-magistrado, além de 3 anos de prisão por formação de quadrilha, sobre um suposto esquema de venda de sentenças judiciais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Também foram condenados dois advogados e uma comerciante por envolvimento com a offshore Cadiwel Company Sociedad Anonima, com sede no Uruguai, constituída exclusivamente para "ocultar a propriedade dos valores pertencentes, em verdade, a Rocha Mattos". 

O ex-juiz poderá apelar em liberdade. O juiz Marcelo Cavali afirma na sentença que Rocha Mattos "era o articulador e o principal interessado na ocultação da propriedade". A Procuradoria da República imputou ao ex-juiz corrupção passiva, crime antecedente ao de lavagem. 

Ao tentar justificar a origem do dinheiro para comprar os imóveis, hoje avaliados em cerca de R$ 3 milhões, o ex-juiz disse ter tomado empréstimo e prestado consultoria e "serviços jurídicos" ao Banco Excel, mas não apresentou contrato ou recibo de pagamento. "(Rocha Mattos) mesmo exercendo o cargo de juiz federal não demonstrou possuir condições financeiras de os adquirir de forma legítima." O ex-juiz poderá apelar em liberdade.