PT diz que ex-presidente da Embratur foi preso sem provas 

O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou nesta segunda-feira uma nota em que critica a prisão "sem qualquer prova" do ex-presidente da Embratur Mário Moysés na Operação Voucher, deflagrada pela Polícia Federal na última terça-feira. Ex-chefe de gabinete do Ministério do Turismo, Moysés foi preso com outros 35 suspeitos de envolvimento com um esquema de desvio de recursos de convênio com a pasta. Ele deixou a prisão na noite de sexta-feira, após conseguir habeas-corpus.

No comunicado, o PT afirma que Moysés ficou preso "sem qualquer prova ou indício de que tenha cometido, corroborado ou participado de irregularidades". Além disso, destacou a agremiação, teve "sua honra e dignidade atingidas". Ele foi um dos seis presos que teve sua fotografia, em que aparece sem camisa e segurando um papel com sua identificação, vazada e publicada na capa do jornal aGazeta, de Macapá (AP).

"O PT sempre apoiou, apoia e continuará apoiando todo tipo de investigação que tenha por objetivo coibir a corrupção, preservar o interesse público e punir aqueles que, comprovadamente, cometeram ilegalidades.Mas não se pode aceitar operações como a que levou à prisão de Mário Moysés e outras pessoas. Se há suspeitas e denúncias, estas tem de ser rigorosamente apuradas em obediência às normas do estado democrático de direito", diz a nota, assinada pelo presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP).

A prisão do ex-presidente da Embratur já havia sido criticada pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), de quem Moysés foi chefe de gabinete no ministério entre 2007 e 2008. "É um absurdo. O Mário Moysés é uma pessoa corretíssima, não estão entendendo nada", disse.

As investigações no Ministério do Turismo começaram há quatro meses, após uma análise feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) que detectou irregularidades no contrato firmado entre o ministério e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi). O valor do convênio fraudado é de R$ 4,4 milhões. Mais de 30 pessoas foram presas preventivamente e provisoriamente na semana passada pela Polícia Federal, mas a maioria conseguiu obter liberdade.