Juiz nega reduzir fiança, e preso do Turismo cogita vender casa 

A Justiça Federal no Amapá indeferiu, nesta segunda-feira, pedido da defesa do pastor e dono da Cooperativa de Negócios e Consultoria Turística (Conectur), Wladimir da Silva Furtado, de redução da fiança de R$ 109 mil estipulada para que ele deixasse a prisão após ser um dos 36 detidos na Operação Voucher, da Polícia Federal, na última terça-feira. O juiz federal Mauro Henrique Vieira deu prazo até sexta-feira para que Furtado cubra o cheque caução - sem fundos - com que ele conseguiu sair da prisão no sábado. De acordo com o advogado de Furtado, Maurício Pereira, o pastor conseguiu R$ 16 mil com familiares e amigos, mas já cogita vender a única casa que tem para continuar livre.

"Pedimos ao juiz que ele reduzisse o valor (da fiança) ou o substituísse por outra medida, cautelar, como a proibição de contratar com a administração pública, mas o juiz indeferiu", lamentou ao Terra o advogado de Furtado, que negou as acusações de que a Conectur foi usada pelo pastor como uma empresa de fachada para obter convênios milionários com o governo federal.

"Até a hora em que peticionei, ele (Furtado) dispunha de R$ 16 mil. Fez ação entre amigos, familiares e irmãos da igreja para tentar arrecadar dinheiro. Ele não tem recursos financeiros nem de onde tirar porque não se apropriou de valores. O dinheiro que foi creditado na conta da Conectur ele prova que foi empregado conforme o convênio. Essas provas foram apresentadas ao Ministério do Turismo, à auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) e, no momento oportuno, serão apresentadas à Justiça", garantiu Pereira. Furtado chegou a pedir doações de R$ 100 a R$ 1 mil de fiéis e amigos em entrevista concedida a uma emissora de TV do Amapá.

As investigações da Operação Voucher começaram em abril, após um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) que detectou irregularidades no contrato firmado entre o ministério e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi).

A Polícia Federal informou que as estimativas são de que dois terços do convênio de R$ 4,4 milhões entre a pasta e a ONG Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi) tenham sido desviados. A proposta era capacitar 1,9 mil pessoas no Estado do Amapá. Uma das beneficiárias do esquema seria a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP), de acordo com três depoimentos de testemunhas à PF. Ela é autora de emenda que destinou R$ 4 milhões para projetos de qualificação profissional na área de turismo no Amapá.

Em nota, a deputada classificou as denúncias como "caluniosas" e garantiu que seus sigilos "bancário, fiscal e telefônico estão à disposição". A assessoria de Fátima informou que "repudia toda e qualquer indicação de seu nome com recebimento de recursos de empresas ou instituições ou qualquer esquema fraudulento".