DF: advogada é acusada de obter gravação de CPI para Marcola

O Ministério Público Federal no DF (MPF-DF) denunciou à Justiça, na sexta-feira, a advogada Maria Cristina de Souza Rachado, defensora de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Junto com Sérgio Weslei da Cunha, advogado de outro integrante do PCC, ela é acusada de pagar propina a um funcionário terceirizado da Câmara dos Deputados para obter, ilegalmente, cópia da gravação da audiência reservada realizada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Tráfico de Armas, em 10 de maio de 2006.

Na sessão secreta, os delegados Godofredo Bittencourt Filho, então diretor do Departamento de Investigações sobre Crime Organizado, e Ruy Ferraz Fonte, titular da 5ª Delegacia de Roubo a Bancos à época, ambos da Polícia Civil de São Paulo, prestaram informações sobre o crime organizado no Estado.

De acordo com a investigação, um operador de áudio teria recebido R$ 200 para entregar cópia dos depoimentos aos advogados. O material teria sido repassado a Marcola, que o utilizou para incitar rebeliões nos presídios paulistas entre os dias 12 e 15 de maio de 2006.

Os dois advogados e o operador de áudio foram denunciado por corrupção passiva e violação de sigilo funcional. Se condenados, pode pegar pena de dois a catorze anos de prisão, além de multa. O caso será julgado pela 12ª Vara da Justiça Federal no DF. A íntegra da denúncia não foi divulgada para preservar dados sigilosos da CPI do Tráfico de Armas.