Assessor de Rossi é novo secretário-executivo da Agricultura

O Ministério da Agricultura anunciou nesta segunda-feira que o engenheiro agrônomo e atual assessor especial do ministro Wagner Rossi, José Gerardo Fontelles, foi escolhido para ser secretário-executivo da pasta. Ele assume o cargo que foi ocupado por Milton Ortolan, que pediu demissão no início do mês. Segundo a revista Veja, Ortolan teria ligações com o lobista Júlio Froés, que prepararia editais, analisaria processos de licitação e cuidaria dos interesses de empresas que concorrem a verbas, o que ele nega.

Fontelles tem mais de 40 anos de serviço público federal e assume o cargo pela segunda vez. Sua nomeação deve ser publicada no Diário Oficial da União de terça-feira. Ele iniciou a carreira no antigo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs). Em 1972, foi transferido para Brasília, quando começou a trabalhar na Companhia Brasileira de Alimentos (Cobal), atual Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Ele já esteve na função que ocupará entre maio de 2009 e março de 2011. O novo secretário-executivo também atuou como técnico na presidência da República e Ministérios da Indústria e Comércio, Planejamento e Fazenda. Na Fazenda, foi secretário-adjunto da Secretaria Especial de Abastecimento e Preços e coordenador-geral das Secretarias de Assuntos Econômicos e de Acompanhamento Econômico. Exerceu ainda a função de assessor especial do ministério para assuntos agrícolas.

De acordo com a Veja , o ex-diretor financeiro da Conab, Oscar Jucá Neto, acusou a entidade subordinada ao Ministério da Agricultura de dilapidar o patrimônio público por meio de operações imobiliárias fraudulentas com o objetivo, entre outros, de repassar aos padrinhos políticos dos diretores terrenos a preços abaixo do valor de mercado. Conforme o denunciante, empresas de amigos e financiadores de campanha eram os favorecidos, e o caso teria aval do ministro Wagner Rossi.

Na Comissão de Agricultura da Casa, onde compareceu antes da votação de um pedido para que fosse convocado, Rossi atribuiu as denúncias ao "destempero" de um ex-funcionário "realmente ressentido". Oscar Jucá Neto é irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e foi demitido por ter mandado pagar uma dívida judicial a uma empresa que, no passado, havia sido ligada à família Jucá e que hoje está em nome de um pedreiro.