Após pedir doações na TV, preso do Turismo busca redução de fiança

O pastor e dono da Cooperativa de Negócios e Consultoria Turística (Conectur) Wladimir da Silva Furtado, um dos 38 presos na operação contra desvios de recursos no Ministério Turismo, se apresentou no final de tarde desta segunda-feira à Justiça Federal no Amapá. Segundo a defesa dele, Furtado não conseguiu dinheiro suficiente para pagar a fiança estabelecida, o que pode colá-lo na prisão. Ele já protocolou um pedido para reduzir o valor estipulado pela justiça, após ter pedido ajuda à população em uma entrevista concedida à uma emissora de TV do Amapá.

"Na semana passada, quando foi preso, ele entregou um cheque no valor de R$ 109 mil que não pode ser descontado. Ele não tinha o valor que esperava e agora estamos contando com a sensibilidade da justiça¿, disse ao Terra o advogado do pastor, Marcelo Pereira. Até as 17h35, não havia manifestação da Justiça Federal sobre o pedido.

Na TV, Furtado chegou a pedir doações de R$ 100 a R$ 1 mil à fiéis e amigos em uma entrevista ao vivo, segundo informações do jornal A Gazeta, do Amapá. A suspeita da investigação da Operação Voucher é de que Conectur fosse usada pelo pastor como uma ONG fachada para obter convênios milionários com o governo federal.

As investigações começaram em abril, após um levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU) que detectou irregularidades no contrato firmado entre o ministério e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi).

A Polícia Federal informou que as estimativas são de que dois terços do convênio de R$ 4,4 milhões entre a pasta e a ONG Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi) tenham sido desviados. A proposta era capacitar 1,9 mil pessoas no Estado do Amapá. Uma das beneficiárias do esquema seria a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP), de acordo com três depoimentos de testemunhas à PF. Ela é autora de emenda que destinou R$ 4 milhões para projetos de qualificação profissional na área de turismo no Amapá.

Em nota, a deputada classificou as denúncias como "caluniosas" e garantiu que seus sigilos "bancário, fiscal e telefônico estão à disposição". A assessoria de Fátima informou que "repudia toda e qualquer indicação de seu nome com recebimento de recursos de empresas ou instituições ou qualquer esquema fraudulento".