Ex-ministro diz que crises devem ser encaradas com normalidade

O governador do Rio Grande do Sul e ex-ministro da Justiça, Tarso Genro, disse, na noite deste sábado, que as crises políticas enfrentadas pela presidente Dilma Rousseff com a queda de ministros e operações da Polícia Federal, do ponto de vista político, são instabilidades "normais" e devem ser encaradas com "naturalidade".

"Do ponto de vista político, essas instabilidades no País são normais, elas são conjunturais, têm problemas no Estado brasileiro? Tem. Há tempos, eu diria desde Cabral. E o combate que está sendo feito no País a essas ilegalidades no setor público existem em todos lugares do Brasil, com diferentes partidos políticos, com diferentes consequências, nós temos que saudar que isso esteja acontecendo, porque quando isso acontece, essas crises, algo está sendo renovado, algo está sendo reorganizado, e nós temos que prestigiar as instituições", disse o governador durante o evento de premiação do Festival de Gramado (RS).

O governador diz que nunca se preocupou com crises como a enfrentada por Dilma quando fez parte do governo Lula. "Durante sete anos eu nunca me preocupei com essas crises, fui porta-voz, como coordenador político do governo no ano de eleição, durante um ano e meio, e travei um diálogo político forte naquele período, então, nós temos que encarar isso com naturalidade. Nós não podemos fazer isso um elemento de decomposição e desprestígio da política, porque a quem interessa desprestigiar os partidos políticos e a política, sejam quais forem os partidos, são as mentes autoritárias que têm o saudosismo de uma época na qual a política não existia", afirmou.

Perguntado sobre a operação Voucher, da Polícia Federal, contra fraudes no Ministério do Turismo, no qual o governo reclamou de excessos na prisão dos suspeitos e vazamento de fotos dos detidos, Tarso disse que prefere não se pronunciar por ter feito parte do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antecessor de Dilma.

"Sobre isso não vou falar porque fui ministro da Justiça por três anos, e tive sucesso de fazer um trabalho pesadíssimo, em todo o País, de combate a desvios de conduta na administração pública. Acho que o José Eduardo (atual ministro da Justiça) é um grande ministro, e qualquer percalço que houve agora ele vai saber superar, tem um quadro altamente preparado para isso", disse.